terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Bônus demográfico


Acredito que esse termo seja desconhecido pela maioria de vocês.
Eu o conheci no ano passado, ao ler uma entrevista do professor José Eustáquio Alves, demógrafo do IBGE na revista Veja (22/09/2015).


População

É uma rara janela de oportunidade para um país, no qual a maior parte da população é economicamente ativa, com menos quantidade de crianças e idosos. Quando bem administrada, proporciona saúde, educação e qualidade de vida à população.

No Brasil, o bônus demográfico iniciou-se em 1970 e terminará na década de 2030, mas a oportunidade foi perdida quase que em sua totalidade por causa dos problemas atuais e passados.

Como foi dito no post 200 = 162 = 81 = 29? - Realidade ilógica e perversa, o Brasil possui 81% da população em idade economicamente ativa, mas apenas metade está trabalhando, quando o mínimo para aumentar o desenvolvimento do país seria de 70% trabalhando.

Há necessidade de criação de mais de 22 milhões de vagas de empregos, mas atualmente ocorre exatamente o contrário: 2016 terminou com mais de 12 milhões de desempregados. O problema é que na próxima década haverá menor crescimento da população em idade ativa e maior crescimento das que não estão aptas ao mercado de trabalho (crianças e idosos). Na década de 2040, a população idosa será inclusive maior do que a de crianças. Consegue imaginar a gravidade do problema?

Um dos motivos do país ter chegado a essa situação foi a preocupação dos últimos governos em incentivar o consumo e o crédito fácil em vez de procurar meios de aumentar os investimentos, pois desenvolvimento e investimento caminham juntos. A educação e a infraestrutura brasileiras também continuam precárias. Há poucas hidrovias e ferrovias se consideramos o potencial e as dimensões geográficas do país.

Os governos anteriores, com inflação fora de controle e instabilidade política também deram sua contribuição para prejudicar o uso adequado do bônus demográfico.

Talvez você esteja pensando se ainda dá tempo de fazer alguma coisa. Segundo José Eustáquio Alves, sim.
1) Investimentos em educação – atualmente 10 milhões de jovens fazem parte do grupo nem-nem: nem trabalham e nem estudam;
2) Crescimento econômico entre 4% a 5% ao ano;
3) Ingresso de mais pessoas no mercado de trabalho;
4) Acabar com favorecimentos políticos.

Infelizmente o próprio demógrafo vê essas ações como muito improváveis de ocorrer.

Apesar da janela se fechar em mais de 15 anos, o resultado nós já sentimos: envelhecimento da população sem atendimento decente e digno na área de saúde pública (salvo raras exceções), falta de qualidade de vida nas grandes cidades e aposentadorias cada vez menores.

Ao contrário do Japão e da Coreia do Sul, o Brasil talvez seja realmente o primeiro país a ficar velho sem ficar rico, como eu disse no post 200 = 162 = 81 = 29? - Realidade ilógica e perversa.
 


Quem viver, verá....


Créditos da imagem: xedos4 - Free Digital Photos


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