terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Natal


Natal.
Árvores iluminadas, luzes intermitentes, portas enfeitadas, cartões, compras, agitação nas ruas e supermercados, comida e bebida, augúrios, programas especiais e festas - mais uma vez, o mesmo ritual.
No dia seguinte, a ressaca: problemas digestivos e indisposição decorrentes da glutonaria e a tristeza na cabecinha das crianças pobres, por não terem sido contempladas com os finos presentes que a garotada da classe A recebeu.

Natal.
Através do mundo, gestos inadmissíveis: interrompe-se a guerra durante algumas horas, para depois ela ressurgir mais cruenta e ignóbil. Trocam-se abraços e sorrisos - até beijos - formais, seguidos da rotina de sempre: hipocrisia, ressentimento político, ódio e preconceito.

A coisa mais nefanda, por ocasião do Natal, é a esperteza. 
Usa-se o Natal como estratégia de venda, de marketing, de diplomacia, de aproximação. O Natal tornou-se um produto descartável. Usa-se e depois se joga fora. O caminhão de lixo vem e leva tudo par o montão do nada.

O verdadeiro Presente fica a um canto, sem nenhuma virtude prática. É apenas um pretexto dentro do contexto humano de imediatismo fútil, passageiro.

Deixemos de usar o Natal para atender aos reclamos da glutonaria e dos ajuntamentos sociais inconsequentes.
Deixemos de ir na onda da publicidade geradora de autômatos.


Nascimento de Jesus

Créditos do texto: Rubens Lessa - trechos de um texto publicado em 1989
Créditos da imagem: dan - Free Digital Photos

2 comentários:

  1. Fantástico! Dia desses estava falando com meu namorado sobre o natal! Ele mesmo disse que achava muita falsidade pessoas que brigam o ano todo em um dia trocarem juras de amor e no dia seguinte voltar tudo a ser como antes. Faz todo o sentido, ne?

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    1. E o mais triste, Bruna, é que a cada ano que passa, parece que coisas como falsidade, glutonaria e consumismo se intensificam...

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