terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Produto de US$ 2 taxado em 440%?


Comprei uma mini máquina de costura do Aliexpress em setembro por US$2,11.
Às 16:30 horas do dia 25/11 recebi o desagradável “aviso de chegada” da empresa postal brasileira. 

Detalhe: a partir do dia seguinte começaria a cobrança por armazenamento, sendo que já havia uma taxa de R$ 12,00 relacionada a “preços postais”. E tributos alfandegários de R$ 23,47. Valor total: R$35,47.
Em valores atuais, o produto sairia R$ 8,00. E R$35,47 de taxas? Quase 440% só de impostos!

Alguém consegue me explicar esse valores absurdos? Ou eles são inexplicáveis mesmo?

Os impostos de importação não são de no máximo 60%? Isso daria R$ 4,80 e não R$35,47.


Impostos

 
Esse foi o primeiro absurdo. Agora vamos ao segundo.
A agência indicada fica em um tal Shopping Raposo Tavares, distante aproximadamente 16 km do endereço de entrega do produto! Para quem conhece o trânsito e o eficiente transporte público da cidade de São Paulo,  sabe que isso significa no mínimo 4 horas só de trajeto. Isso, com sorte.



Telefonei na central da empresa postal (já esperando por muita eficiência...) e o atendente me informou que essa era a agência mais próxima da minha residência para produtos internacionais. 
Se fosse no interior do Amazonas, a informação teria até compreensível, mas na maior metrópole do Brasil e uma das maiores do mundo?  
Embora estejamos em pleno século XXI e em uma época de grande desenvolvimento tecnológico, parece que estamos parados no tempo. E quem fica parado, na verdade está regredindo.


Atualização: um colega comprou uma camiseta de basquete de US$12,00 no Aliexpress e recebeu o "aviso de chegada" com o mesmo valor de taxas que eu. A única diferença foi a agência postal ser bem mais perto do endereço de entrega.
Será que há um "padrão" de valor mínimo de taxas independentemente do valor do produto?



Há uns 12 anos ganhei alguns pares de baquetas Vic Firth em um sorteio. Quem toca bateria sabe que essas são uma das melhores baquetas do mercado. E a série Signature é ainda mais cara do que as tradicionais A5 e A7. Como a encomenda veio dos USA, recebi o mesmo “aviso de chegada", com duas diferenças relevantes:
1) O imposto foi de aproximadamente R$ 60,00. Achei caro, mas estava dentro da lei.  Além disso, eram baquetas Vic Firth!
2) A agência postal era realmente a mais próxima da minha residência, uns 2 quilômetros de distância.



Sinceramente, não sei o que aconteceu com esse país, que parece estar regredindo a passos largos, principalmente se considerarmos a globalização, o advento da tecnologia e o aumento da competitividade. Em relação à competitividade, por que será que muitos brasileiros preferem comprar produtos na China e esperar entre 2 a 3 meses para recebê-los?
Cito 3 fatores que considero os principais:
1) O preço é consideravelmente menor;
2) A variedade é muito maior;
3) Há muitos produtos com frete grátis.

Aqui, além dos impostos em excesso, o valor do frete é absurdo e a demora na entrega não vale o valor pago por ela. Em outras palavras, pagamos muito e recebemos muito pouco em troca.

É justo e coerente o governo querer fortalecer a economia nacional. Mas é injusto cobrar 440% de impostos e taxas. Vi relatos na internet de produtos de US$ 100,00 taxados em mais de mil reais. Produtos de US$3,00 taxados em 60 reais. Que país é esse?

No final das contas, somos duplamente penalizados:
1) por termos uma das mais altas cargas tributárias do mundo;
2) por não recebermos nem o mínimo em contrapartida, que ao meu ver seriam educação de qualidade, cidades planejadas, segurança, transporte público eficiente e
saúde pública decente. Em relação principalmente a esses três últimos, há rotineiramente a nulidade da dignidade humana.

Uma pena o Brasil ter se transformado no que é hoje...

Brasil... o país do futuro. De um futuro que já passou, mas paradoxalmente nunca chegou por aqui.
As capas da The Economist de 2009 e 2013 dizem tudo.
Na primeira está escrito: "O Brasil decola". Na segunda, "O Brasil estragou tudo"?
The Economist


Encerro com uma frase do artigo “O fim do Brasil”, da Empiricus. Quem quiser ler, veja aqui:
http://www.empiricus.com.br/o-fim-do-brasil/

Em entrevista recente ao Valor Econômico, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, falou assim:
“O brasileiro gosta do seu país, gosta de morar aqui, de investir aqui. Mas o grau de incerteza hoje é tal que as pessoas estão pensando em investir fora do Brasil, estão pensando até em sair do Brasil. Há um medo que vai além da economia, é medo político também. Há uma sensação de medo que as pessoas não têm coragem de manifestar abertamente. Medo de uma atitude contra a liberdade de imprensa, contra a democracia.”


Pena que pelos motivos mais diversos, nem todos os que querem, podem realmente sair do Brasil como ele disse...


Créditos da imagem Impostos: Stuart Miles - Free Digital Photos
Capas da revista The Economist - Jornalismo Econômico (Uniritter)

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