terça-feira, 1 de novembro de 2016

Os rios de São Paulo



Desenho-de-rio-gramado-montanhas-e-arvore
Quem conhece São Paulo sabe que na cidade há muitos rios, riachos e córregos, que geralmente são mais visíveis nas periferias. O que muitos não sabem é que na cidade inteira, a menos de 300 metros de onde você estiver, há um curso d’água por perto. Como a maioria deles foi canalizado de forma subterrânea, é quase impossível saber que eles existem.

Posto aqui 2 links com mapas muito interessantes sobre o assunto:
Esse link foi elaborado pela Revista Veja e esse outro pela Prefeitura de São Paulo.
 



Infelizmente a maior parte dos rios virou esgoto, tanto que os que estão a céu aberto quanto os subterrâneos devido a falta de planejamento e interesse na preservação desses locais.

É paradoxal ver uma cidade com tantos cursos d’água ativos ter passado recentemente por graves problemas de ... falta d’água, pois o que existe são rios e riachos sem vida, totalmente contaminados e desagradáveis para quem vive ou passa por perto deles. Além disso, muitas vezes tornam-se sinônimo de apreensão e problemas aos moradores da região devido às constantes enchentes causadas por rios estrangulados e sufocados por avenidas e exploração imobiliária legal ou ilegal.

Até o início do século passado os rios Pinheiros e Tietê (os maiores da cidade) eram navegáveis, com clubes náuticos em suas margens – ainda existem algumas escadinhas que davam acesso às embarcações. Veja mais sobre esse assunto aqui e aqui.
Hoje, ambos são sufocados por vias de tráfego muito intenso designadas como expressas, termo que não condiz com a realidade na maior parte do dia.

O caso do Tietê é pior, pois com a mudança do curso do rio no século passado (veja aqui, principalmente a foto 5), ele ficou praticamente espremido entre as vias, com margens semelhantes aos flood control channels norte-americanos (canais de controle de enchente, em tradução literal). Se você não conhece São Paulo, procure “Ponte das Bandeiras” no Google Maps para ter uma ideia da situação.

Na década de 90 um caro sistema de flotação foi implantado no Rio Pinheiros com ampla divulgação inicial e pouco resultado. Logo o projeto foi abandonado de forma muito discreta.  Após isso, mais de uma década e meia depois, nada foi feito nesse sentido de forma relevante, com resultados visíveis e positivos em termos de despoluição e melhoria da qualidade da água. No rio Tietê, é feita a dragagem com o objetivo principal de diminuir enchentes, o que é bom, mas o ideal seria se não ficasse só nisso.
O que percebo é que poucos são os riachos que em algum trecho conseguiram sobreviver ao destino de virar esgoto, como os localizados em áreas com pouca densidade demográfica, como Marsilac e Parelheiros. Alguns são nascentes em locais muito habitados, como o Riacho das Corujas, no Sumaré; o Pirajussara Mirim, no Butantã; o Riacho Carandaí, na Casa Verde; o Riacho Saracura Grande, na região da Avenida Paulista; várias nascentes no Parque da Aclimação.

O estado atual dos rios da cidade de São Paulo demonstra que nunca foi dada a devida atenção à preservação desses locais tão básicos à existência em todas as suas formas.

Chega a ser temeroso perceber que em pleno século XXI, época na qual há muita informação e tecnologia, nada realmente significativo e relevante seja feito para melhorar de forma eficaz e progressiva o enorme e inestimável estrago feito nos rios paulistanos, o que pode ser também a realidade de muitas cidades brasileiras.

Na cidade onde você mora (ou morava) os rios também são tratados dessa forma? Compartilhe sua experiência aqui!

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Boa semana.



Créditos da imagem: mapichai - Free Digital Photos


2 comentários:

  1. Eu sabia que nosso planejamento urbano era péssimo, mas não sabia que afetava até isso.

    Nossas cidades foram criadas de maneira desorganizada, sem sistemas de enquadramento de ruas, sem lotes quadrado como terreno e, ainda, foram realizadas muitas construções em lugares de solo irregulares.

    O que é totalmente diferente dos EUA e outros países colonizados/povoados por britânicos, os quais tiveram o cuidado de criar cidades num bom enquadramento.

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    1. Anônimo,

      Agradeço por seu comentário.

      Infelizmente a falta de planejamento urbano é um problema muito sério no país. A falta de enquadramento das ruas e terrenos que você citou tornam a cidade muito disfuncional e complicada em relação ao tráfego de pedestres e automóveis, pois duas ruas que são inicialmente paralelas seguem para destinos muito diferentes, quando o normal seria que continuassem paralelas durante todo o percurso. Aqui, nesse caso, a exceção virou regra, o que é péssimo em relação a própria organização da cidade. No Google Maps dá para ver claramente o tamanho do problema insolúvel que a falta de planejamento ocasionou...

      Em relação aos rios e a vegetação nativa, é lamentável que também não houve cuidado ou planejamento algum. Além disso, a maioria dos rios e canais está poluído e parece não haver interesse real na despoluição.

      Concordo em relação a colonização inglesa, pois a diferença é realmente enorme em todos os sentidos.


      Abraços!

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