sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Para pensar #78


Nosso potencial é uma coisa. 
O que fazemos com ele é outra.
Angela Duckworth




terça-feira, 13 de novembro de 2018

Games atuais: divertidos ou perturbadores?



Mesmo que você não goste de jogos de vídeo game, é bem provável que já tenha ouvido falar em Sonic, Super Mário Brothers, Enduro, Pacman, Grand Teft Auto e Resident Evil - esse último fez tanto sucesso que foi adaptado para o cinema.

Tenho quase certeza que você também conhece os nomes de alguns dos consoles a seguir: Atari, Nintendo, Master System, Meda Drive, Playstation, Wii, XBox.


dois-rapazes-jogando-videogame

Mudanças positivas

Os primeiros consoles possuíam jogos em cartuchos, jogabilidade limitada e imagens em duas dimensões. Muitos possuíam cores bem vivas e carregadas - até de forma exagerada como o Sonic. Talvez esse excesso de cores fosse uma maneira de compensar as limitações de processamento gráfico e das músicas midi, que eram geralmente um pouco sem graça e repetitivas.

Com o Sega Saturn, as músicas midi antigas começaram a ser substituídas por músicas reais, compostas exclusivamente para os jogos ou já gravadas por algum artista ou banda.

As músicas midi não foram totalmente abandonadas, mas a qualidade melhorou de forma significativa - não se parecem nada com as que fazem parte dos games dos primeiros consoles.

O gráfico (o que você realmente vê na tela: as definições, detalhes, etc) também evoluiu. Veja no final do post um site com imagens dessa evolução.

Enquanto jogos de consoles mais antigos a opção de movimento era unicamente para cima, para baixo, movimento lateral e diagonal em duas dimensões,  consoles como Playstation One e Sega Saturn proporcionaram uma grande inovação: além dos movimentos citados acima, a profundidade estava presente nos jogos. A partir desse momento, a visão dos jogos eram em três dimensões. O modo como vemos as coisas não estava apenas no mundo real e nos filmes. Os games também entraram no mundo 3D! Quem gosta de games consegue entender bem a diferença gigantesca entre um jogo em 2D e outro em 3D.

Para ilustrar, na imagem 2D você enxerga um objeto assim:



Na 3D abaixo, quanta diferença! A imagem tornou-se muito mais interessante, não é?


A maioria dos jogos atuais possui cores mais balanceadas, mais suaves, sem muitos exageros "de fábrica" como no Sonic (do Master System e Mega Drive) exceto se for realmente necessário. O Guitar Hero é bem colorido, assim como o Flower, mas são jogos que naturalmente "pedem" cores mais vivas. Enquanto isso, o jogo Grand Theft Auto possui tons mais suaves, mais próximos da realidade e o Resident Evil possui tons mais sombrios, combinando com a história do jogo.

Sei que muitos leitores vão discordar, mas vejo os acessórios com certa desconfiança em jogos nos quais eles são a única opção, já que o preço desses produtos geralmente é elevado para os padrões brasileiros - assim como quase tudo nesse país. Por exemplo, o Guitar Hero Live para o Playstation 3 custa por volta de R$ 110,00 (preço em 10/2018). Pior: as guitarras dos jogos anteriores não funcionam nesse jogo. E não há opção de jogar com o controle!
Infelizmente mais uma faceta da obsolescência programada em ação...

É divertido jogar com o kinect (sensor de movimento do XBox) e deve ser jogar o Guitar Hero com a guitarra, mas é melhor ainda quando a opção para jogar com o controle também está disponível. Infelizmente há jogos atuais nos quais não é mais possível jogar com o controle, só com o acessório.

As mudanças nos controles (joysticks) mostram bem o desenvolvimento desse mercado. O controle com dois botões foi aos poucos sendo modificado até chegar-se ao atual com até 17 opções! Veja abaixo a grande diferença entre eles. No final do post há também um infográfico bem interessante sobre o assunto.



controles-de-videgames-evolucao

Mudanças negativas

Os jogos atuais possuem gráficos cada vez mais realistas. Talvez realistas até demais, no sentido de serem perturbadores para a mente em se tratando de jogos violentos.

Com tanta violência na tela (filmes, noticiários, videogames), a mente acaba adaptando-se ao que vê e vivencia, a chamada psicoadaptação. Isso faz com que tais cenas violentas tornem-se normais, o que definitivamente não são. Ou pelo menos não deveriam ser. Será que crianças e jovens não estão começando a confundir ficção e realidade, ainda mais em uma país que proporciona formação escolar de qualidade tão ruim e índices de violência cada vez mais altos? 

Como era de se esperar, através da psicoadaptação a exposição excessiva a cenas violentas leva a frieza, pois a pessoa começa a encarar a violência como algo corriqueiro e natural no mundo. Tal frieza influencia os valores da pessoa, pois empatia, respeito, confiança, ética e amor vão sendo aos poucos substituídos por pensamentos mais egoístas e inescrupulosos.

O risco do vício também é considerável, pois os jogos são cada vez mais longos, complexos e prendem a atenção. Quem gosta muito, passa facilmente 3, 5 horas ou até mesmo uma madrugada inteira jogando sem se dar conta de quanto tempo gastou  com esse tipo de entretenimento. O pior é que isso não ocorre de forma esporádica: como em todo vício, o hábito de jogar é diário e extenso em quantidade de horas em muitos casos.


Conclusão

No mundo dos games há diversão para todos os gostos, mas alguns jogos - principalmente os mais violentos - parece que adentraram no terreno de uma realidade perturbadora não muito diferente da realidade diária em muitos casos. 

Como exemplo, a série Grand Theft Auto para o Playstation 2 tem o gráfico mais parecido com animações e desenhos, enquanto a realidade é bem mais intensa no mesmo jogo para consoles mais novos, com a violência explícita de forma mais real. Será que isso é saudável para a mente?

Além disso, muitos jogos atuais são menos divertidos do que os anteriores. Parece até que em muitos casos diversão e realidade são como dois componentes repelentes entre si: onde um está presente, o outro provavelmente não estará. Uma pena, pois seria muito bom se houvessem mais jogos divertidos que aproveitassem todo o potencial gráfico atual, mas com menos - bem menos - violência implícita ou explícita.


Créditos das imagens:
Jogando: Ambro - Free Digital Photos
Evolução do controle para videogames - Open your mind blog
Quadrados - minha autoria

Referências:
Conheça a evolução dos gráficos nos videogames
Lista de consoles de videogame
A evolução dos controles de video game [infográfico]
Obsolescência programada - você sabe o que é?
A evolução do controle para videogames