terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Juventude antecipada, juventude prolongada


Vivemos em uma época muito estranha.
Acredito que essa frase tenha feito você pensar em vários temas e problemas atuais, mas o foco desse post é basicamente a vestimenta atual.

Há poucas décadas, criança se vestia como criança e tinha hábitos de criança enquanto adulto se vestia como adulto e tinha hábitos de adulto.

criancas

Mas o que vemos hoje?
Meninas de 4, 6 anos vestindo roupas coladas no corpo, evidenciando perninhas bem desenhadas, mas evidenciando também outras partes do corpo que mulheres adultas de 50 ou 60 anos atrás sequer ousavam destacar.

Vivemos em uma época de erotização precoce e muito perigosa das meninas (ainda mais com a internet e a pedofilia). Se nas décadas anteriores, de vez em quando brincávamos de nos vestir como nossas mães, com direito a batom e unhas pintadas, hoje isso não é mais brincadeira, pois tornou-se algo rotineiro, como se fosse normal.

Você já deve ter visto pelo menos uma vez, mãe e filha (de até uns 10 anos) usando praticamente a mesma roupa: blusa muito justa e calça legging.

Onde foram parar as roupas de criança?
Onde foram parar as saias e os vestidinhos comportados e adequados à essa faixa etária?

Se na infância as roupas são inadequadas, na adolescência a situação piora, pois entram em cena mini shorts e microssaias – o que poderia ser muito diferente se não houvesse a erotização tão precoce.

Onde foram parar as roupas elegantes de moças e senhoras? Com elegante não quero dizer fora de mora, mas algo que não exponha tanto assim o corpo feminino como vemos o tempo todo por aí.

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Há algum tempo assisti um vídeo de uma menina ainda de fraldas fazendo passos e gestos eróticos ao som de uma música imprópria até para adultos. 

Será que ela aprendeu essa dança sozinha?
Claro que não.

Lamentavelmente haviam aplausos e risadas, o que reforçava ainda mais o seu comportamento. Com tanta aprovação na mente da criança, aquela “dança” era considerada algo normal, algo bom. Mas será que era mesmo?

A erotização excessiva e fora de contexto não atinge somente as faixas etárias citadas até aqui. Atingiu também a 3º idade.

Quantas vezes você já viu por aí mulheres com mais idade vestidas com as mesmas roupas justas e até decotadas que caíram no gosto das mais novas?

Como no exemplo citado anteriormente de mãe e filha pequena com blusas muito justas e calças legging, já vi o mesmo ocorrer com filha de 50 anos e mãe de 80 (idades aproximadas). Felizmente isso não é muito comum. Ao mesmo tempo, lembro de uma amiga que nunca teve coragem de usar roupas tão justas quanto as que sua avó usava.

Vivemos em uma época muito contraditória e incoerente, com a “adultização” das crianças e a ânsia dos mais velhos pela juventude – os cremes anti-idade que o digam...

Não seria melhor, mais adequado e sábio se, como antigamente, todos vivessem cada uma das etapas da vida em seu próprio tempo, não tentando antecipar ou postergar tais fases?

ciclo-da-vida


Pode parecer utopia, mas acredito que dessa maneira, a sociedade seria formada por crianças com hábitos de criança, adultos com hábitos de adultos e idosos vivendo realmente de acordo com sua faixa etária – o que talvez os tornassem fontes extraordinárias de sabedoria e conhecimento.


Créditos da imagens: 
Crianças - Stuart Miles - Free Digital Photos 
Emoticon - farconville - Free Digital Photos 
Ciclo da vida - zirconicusso - Free Digital Photos 







sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Para pensar #40


É preciso que nos renovemos diariamente. 
Os hábitos e as ideias velhas tornam-se doenças.
Paulo Bomfim




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Ano perdido?


Até meados de janeiro ouvi duas frases que me levaram à várias reflexões.

Frase 1: "2018 é um ano praticamente perdido. Em 2019 sim, podem ocorrer mudanças."
Frase 2: "Já estamos na metade de janeiro. Esse ano vai passar muito rápido, pois tem copa do mundo e eleição."

Ou seja, 2018 será um ano perdido e como se isso não bastasse, também vai passar rápido. Será mesmo?

Fico tentando imaginar o que pensa e no que acredita quem verbaliza tais frases.



A lista
Contando a partir de hoje, são exatamente 314 dias, nos quais há infinitas possibilidades, considerando-se os valores, aptidões, interesses e classe social de cada um. Farei uma breve lista e acredito que você se identificará com ao menos 1 ou 2 itens.

1) Ter uma alimentação mais saudável.
2) Ter mais tempo para o convívio com a família e com os amigos.
3) Doar ou vender objetos que não fazem mais sentido para você e que estão ocupando espaço e também o seu tempo (devido a periódica limpeza e organização de tais objetos).
4) Praticar uma atividade física regularmente.
5) Aprender ou voltar a tocar um instrumento musical.
6) Procurar um emprego melhor ou pelo menos que remunere melhor.
7) Apreciar a natureza, cultivar ou organizar um jardim ou uma horta.
8) Falar menos e ouvir mais.
9) Viver de forma plena o momento presente.
10) Dar mais importância à espiritualidade.
11) Dormir mais.
12) Passar menos tempo conectado, assistir menos televisão ou jogar menos vídeo game.
13) Ler mais livros.
14) Aprender a investir e sair da poupança e dos títulos de capitalização. (Veja aqui os posts que escrevi sobre Educação Financeira no blog.
15) Voltar a estudar - cursos voltados à área de atuação ou outros relacionados à suas afinidades e interesses.
16) Não se deixar contaminar tanto pela correria da sociedade moderna. Desacelerar.

Voltando às frases iniciais, com tantas opções podemos mesmo considerar 2018 como um ano perdido?

Mesmo que você não consiga cumprir seus objetivos, consideraria 2018 como um ano perdido ou como um ano de aprendizado e experiência, no qual aprendeu ao menos que o caminho escolhido muitas vezes não foi o ideal, mas que ele era um entre várias opções?

Podemos considerar que dois eventos sem relação direta com a vida da maioria da população brasileira poderia alterar de alguma forma a passagem do tempo? Em 2019 provavelmente o resultado das eleições ocasionará impactos maiores ou menores na vida de muitos, mas não agora em 2018.


calendario-e-estetoscopio


?
Fico tentando entender o que leva as pessoas a pensamentos tão reducionistas. Talvez essa forma de pensar esteja tão enraizada em nossa cultura, que a encaramos como normal, quando na realidade é apenas comum e totalmente fora do que se espera da normalidade.

Há tanta coisa por fazer no Brasil, tanta coisa com atraso de 5, 10, 50, 200, 500 anos em relação aos países desenvolvidos! Infelizmente pensamentos como os do início do post só pioram a situação, pois o foco está onde não deveria estar. Está em algo não essencial, para alegria e alívio do governo, que quer cidadãos cada vez mais interessados em carnaval e futebol - esses talvez sim o ópio do povo versão século XXI.


Planos
Eu tenho meus planos para 2018. Não se se conseguirei cumpri-los, tampouco conheço as intempéries que enfrentarei durante o ano. Mas sei que será um ano de aprendizado e experiência, de erros e acertos. Sei também que 2018 não vai passar mais rápido do que os outros anos, matematicamente falando, pois 1 minuto continua com 60 segundos e cada segundo continua com 1.000 milésimos de segundo.

O mundo caótico em que vivemos, com excessos de estímulos, distrações, atividades, deslocamentos cada vez maiores em meio a congestionamentos cada vez piores têm furtado muito de nosso tempo e energia vital. Mas dizer que o ano vai passar mais rápido por causa de dois eventos não pessoais parece algo meio exagerado.


Sem conclusão
Será que algum dia a cultura brasileira alcançará um nível de desenvolvimento no qual conseguirá se libertar do superficial, artificial e fabricado interesse que há em eventos não importantes como carnaval e futebol e realmente se importará com o que é fundamental e essencial em uma sociedade genuinamente desenvolvida?

Só o tempo dirá...


Créditos da imagem: hyena reality - Free Digital Photos



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

There’s no touch screen!


Imagine crianças de até 13 anos entrando em contato pela primeira vez com o primeiro IPod, lançado em 2001.

Pelo semblante de todos, o objeto em questão parecia até coisa de outro mundo – o que para eles, não deixa de ser verdade.

Surpresos, não sabiam o que fazer, como ligar, como fazer o IPod funcionar. Procuravam por funções inexistentes, como fotos e vídeos. Vários apertaram a tela, que obviamente não respondia aos comandos. Então, tentavam outras maneiras, sem obter sucesso.

Para mim, o destaque foram as meninas, que tentaram, tentaram, mas como a tela não funcionou mesmo, exclamaram admiradas: There’s no touch screen!

A tecnologia deu um salto tão grande, principalmente nas últimas duas décadas, que o analógico ainda tão comum para muitos de nós, é algo até surreal para as novas gerações, principalmente em países desenvolvidos.



Até a próxima!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Para pensar #38


O viver separado de Deus é a base do pecado; as más ações que muitas vezes denominamos pecado são somente o resultado de nossa condição pecaminosa.

Às vezes vemos as coisas ao contrário: pensamos que fazer coisas erradas é o que nos separa de Deus. Mas a verdade é que a separação de Deus é que nos leva a fazer coisas erradas.
Morris Venden



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Eu mereço?


Recentemente vi uma propaganda com ofertas de bolachas e chocolates. O título, que estava na frente de uma grande bolacha recheada, era: eu mereço.


bolachas-recheadas


É difícil encontrar alguém (de todas as idades) que não goste de chocolates ou de nenhum tipo de bolacha. Por isso, acredito que essa afirmação produza no leitor a ânsia por justificativas mentais que expliquem o motivo da compra - que obviamente não será por necessidade, mas por desejo.

O problema é que o desejo não é nada racional, muito pelo contrário, é basicamente emocional. Se houvesse uma relação equilibrada entre razão e desejo, será que alguém consumiria tanto açúcar e gordura juntos, como no caso das bolachas recheadas?

No momento de saborear é agradável, mas e quanto às consequências? O que será que uma propaganda como essa está nos dizendo nas entrelinhas? Seria algo como: eu mereço obesidade, hipertensão, diabetes, inflamações (o açúcar branco é altamente inflamatório por si só), etc?

Considerando o fato de termos o paladar tão alterado desde a infância pelo excesso de açúcar e pelo glutamato monossódico (vale a pena pesquisar sobre essa substância), será que o "eu mereço" faria o mesmo efeito se fosse utilizado em ofertas de frutas, legumes ou verduras? Nesse caso, nas entrelinhas, o "eu mereço" estaria dizendo: eu mereço saúde, vitalidade, disposição, clareza mental, etc.

De acordo com nossos hábitos, quantas pessoas são realmente capazes e determinadas o suficiente para ver o que está além das frases de efeito e das imagens bonitas aos olhos, mas terríveis à saúde?

Da próxima vez que você ver uma propaganda do tipo, pergunte-se da forma mais racional possível: as consequências e os impactos negativos desse produto à saúde, aparentemente tão inofensivo, realmente valem a pena?


Como está escrito na carta de Paulo aos Coríntios:
"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam."
1 Coríntios 10:23


Créditos da imagemTuomas_Lehtinen Free Digital Photos


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Para pensar #37


As suas circunstâncias atuais não determinam até onde você pode ir; apenas determinam por onde começar.
Nido Qubein