terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O que o dinheiro não compra. E o que ele compra.


Há histórias que nos marcam para sempre, como uma que ouvi quando eu tinha uns 15 anos. Foi mais ou menos assim:

- Fulano está tão mal... Os médicos estão tentando de tudo, mas não está adiantando – disse a mãe.
- Ainda bem que ele tem dinheiro e está sendo bem tratado. Imagine se não tivesse – disse a filha.

A única coisa anterior ao diálogo que me lembro, foi a mãe dizendo algo sobre dinheiro não comprar tudo. A direta, inteligente e óbvia resposta da filha encerrou a questão. E a mãe ficou sem argumentos.

Culturalmente estamos acostumados a dizer que dinheiro compra isso, mas não compra aquilo. E muitas vezes nos esquecemos do que ele pode comprar.

Muitas pessoas até utilizam um versículo bíblico para justificar sua opinião:
“O dinheiro é a raiz de todos os males”.
Mas não é exatamente assim que está escrito. O correto é:
“O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. 1 Timóteo 6.10

Com a consciência e a percepção de que o dinheiro é neutro, que é um meio que pode ser utilizado tanto para o bem quando para o mal, os paradigmas podem ser, aos poucos, desconstruídos e reescritos.

Alguns exemplos clássicos de crenças que temos em relação ao dinheiro no Brasil:

1) Dinheiro não compra saúde
Não mesmo, isso é óbvio. Mas ele pode comprar os melhores tratamentos disponíveis. Além disso, pode comprar melhor qualidade de vida.
Como assim?
Acompanhe meu raciocínio: considerando o aumento do número de doenças relacionadas ao estresse, ao trânsito, à poluição e à insegurança pública, o dinheiro pode proporcionar a liberdade financeira, que por sua vez proporciona a liberdade de viver em um lugar adequado, mais seguro e mais perto do local de trabalho. Tais fatores proporcionam melhor qualidade de vida, que por sua vez proporcionam uma sensação agradável de bem-estar.

O resultado?
Menos agentes estressores + melhor qualidade de vida = menos doenças, pois hormônios como adrenalina, noradrenalina e cortisol serão secretados em menor quantidade na corrente sanguínea do que ocorre com pessoas que habitam em locais impróprios, perigosos ou de difícil acesso (ou tudo isso junto). Ou seja, morar em um local adequado acaba sendo também um preventivo contra várias doenças crônicas, inclusive ortopédicas, como problemas de coluna e vasculares por não ficar horas sentado em um automóvel, ônibus ou trem - isso quando há lugar para sentar-se no transporte público. Para saber mais sobre os hormônios citados acima, veja os links no final do post.

Veja a foto abaixo. Com calma, de preferência.
Ela te proporciona quais tipos de sentimentos, pensamentos e emoções?


Casa-americana
Clique na imagem para ampliá-la - o mesmo se aplica a todas as fotos do post.

Para mim, é um local que remete a dignidade, contentamento, silêncio, tranquilidade, simplicidade, organização, limpeza, zelo, visual agradável e também a pessoas que se preocupam em valorizar o bairro em que moram.
Um lugar onde as pessoas provavelmente sintam-se felizes em chegar. Eu, pelo menos, me sentiria muito, muito feliz em morar em um lugar assim. É o tipo de lugar onde a vida vale a pena ser vivida. 
Essa é a minha opinião.

Agora veja essa outra foto.
A quais sentimentos, emoções e pensamentos ela te remete?


fazenda-em-wisconsin-estados-unidos

Para mim, a resposta é bem semelhante a anterior. Acrescento paz e completude. Além disso, é um local que favorece e aumenta a qualidade da comunhão com Deus.
Essa é a minha opinião.

Agora, vamos a terceira foto.
A quais sentimentos, emoções e pensamentos ela te remete?


bairro-ruim-na-região-metropolitana-de-sao-paulo

Para mim, remete ao contrário de tudo o que falei sobre as fotos anteriores. Além da confusão visual tão intensa, acrescente violência (muita violência), muito barulho, enfim, o oposto de todos os sentimentos anteriores.
  
Então, pergunto: em qual desses locais você acredita que teria mais qualidade de vida, e consequentemente, mais saúde física, mental e espiritual?


2) Dinheiro não compra felicidade
Também não compra. Além disso, sempre existirão ricos infelizes e pobres felizes, pois felicidade tem muita relação com a personalidade e com a cosmovisão de cada um. Mas convenhamos: é muito melhor não ser tão feliz com dinheiro do que sem ele, pois além da infelicidade haverá também todos os problemas e privações inerentes a essa falta.


3) Só fica rico quem é corrupto ou quem explora os pobres
No Brasil, infelizmente temos exemplos de sobra nesse sentido, o que reforça o inconsciente coletivo que associa riqueza a algo negativo e ruim. Mas também temos bons exemplos, como Carlos Wizard Martins e Eduardo Saverin.
No exterior, há exemplos como Warren Buffet, Bill Gates, Jeff Bezos e Elon Musk. Seriam todos eles corruptos? Acredito que não.

Acredito ser incoerente que riqueza e corrupção sejam vistos como indissociáveis, pois o que faria sentido nesse cenário, exceto uma longa e crescente decadência?
Maior relevância deveria ser dada ao fato de que a corrupção se espalhou pela sociedade brasileira como uma praga, afetando todas as classes sociais e faixas etárias. Em maior ou menor grau, o “jeitinho brasileiro” faz parte da vida da maior parte da população.


Conclusão

O dinheiro não compra mesmo muitas coisas importantes, mas vê-lo dessa forma tão reduzida seria como olhar por um telescópio com as lentes invertidas ou pelo lado errado.
O dinheiro proporciona que você tenha melhores oportunidades e opções – algo que não teria sem ele. Além disso, te dá a oportunidade de colaborar com alguma instituição filantrópica, de proteção animal, ambiental, enfim, as possibilidades são muitas.

Apesar de parecer até contraditório ou sem sentido para muitos brasileiros, é possível ser rico sem render-se aos apelos do consumo, sem possuir objetos puramente por status, ostentação ou comprar todas as atualizações de um determinado produto, como celular, por exemplo. Dá para ser rico e ser simples simultaneamente. Warren Buffet que o diga.... Para mim, ele é o maior exemplo de uma coexistência harmônica entre riqueza e frugalidade. Para quem não sabe, ele está sempre entre os 5 homens mais ricos do mundo na classificação da Forbes.

O dinheiro compra muitas coisas – que só ele pode comprar. E jamais conseguirá comprar algo que esteja fora de seu escopo.
Para lidar melhor com o dinheiro, precisamos distinguir claramente o que ele pode e o que não pode comprar. Dessa forma, não classificaremos como ruim ou como vilão, algo que é simplesmente neutro.

Para encerrar, gostaria de deixar uma frase do André Azevedo, do Blog Viagem Lenta, para reflexão:
“A liberdade financeira é determinante para que desfrutemos plenamente as demais”.


Referências:
Efeitos do estresse no corpo humano
A felicidade e seus hormônios

Imagens:
Foto 1: The Wacky Tacky Blogspot
Para quem não sabe, essa é a casa do seriado Anos Incríveis (Wonder Years). Eu procurava uma casa para ilustrar meu post e me lembrei que essa seria a ideal.
Foto 2:
Vista aérea de uma fazenda em Wisconsin

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Fogos de artifício - será que não chegou (ou passou ) a hora de proibi-los?


Não é de hoje que sabemos - ou deveríamos saber – que os fogos de artifício causam muitos impactos negativos às pessoas, aos animais e à atmosfera. Abordei superficialmente o assunto no post Por um Natal com mais simplicidade e silêncio, que eu havia postado há 4 anos com o título Natal

Infelizmente a situação não melhorou de 2013 para cá, muito pelo contrário, piorou. E muito. Fogos cada vez mais fortes, mais intensos e em maior quantidade.

Eu nunca entendi qual graça as pessoas acham em tanto barulho. Não entendo como em pleno século XXI ainda há tantos hábitos primitivos como esse.
E para variar, como o Brasil só se sai bem em rankings negativos, o país é o segundo maior produtos de fogos de artifício do mundo(veja aqui). Mas no Pisa - Programa Internacional de Avaliação de Alunos – ocupa os últimos lugares (veja aqui).

Há muita poluição sonora, poluição atmosférica, estresse e mortes decorrentes dessa prática tão primitiva de comemoração.

Se para os humanos é ruim, para os animais a situação é infinitamente pior, pois eles não sabem o que está acontecendo.
Eu tenho cães em casa desde sempre e vejo como ficam estressados, com medo, ansiosos, nervosos e com taquicardia quando começam os fogos de artifício. Quem tem cães sabe bem do que estou falando...
Sempre preciso encontrar uma maneira de acalmá-los, pois os danos podem ser irreversíveis, como infelizmente aconteceu com a Nina, como mostrado na reportagem citada no ECycle.

Segundo o mesmo site, "o barulho associado ao medo desencadeia respostas fisiológicas de estresse por meio da ativação do sistema neuroendócrino, que resulta em uma resposta de luta ou fuga, observada por meio do aumento da frequência cardíaca, vasoconstrição periférica, dilatação da pupila, piloereção e alterações no metabolismo da glicose.

O animal movido com medo procura se afastar do barulho tentando se esconder dentro ou embaixo de móveis ou espaços apertados; pode tentar fugir pela janela, cavar buracos, tornar-se agressivo; apresentar salivação excessiva, respiração ofegante, diarreia temporária; urinar ou defecar involuntariamente. As aves podem abandonar seu ninho em revoada. Durante a tentativa de fuga do barulho causado pelos fogos de artifício podem acontecer acidentes como atropelamentos, quedas, colisões, ataque epilético, desnorteamento, surdez, ataque cardíaco (principalmente em aves) ou o desaparecimento do animal, que pode percorrer longas distâncias em estado de pânico e não conseguir retornar ao seu local de origem."


É realmente isso o que queremos para os animais?


cachorro

O mesmo site também diz que como “na maioria das vezes (os fogos) são utilizados no período noturno, os efeitos causados aos animais (principalmente os silvestres) são difíceis de serem percebidos e quantificados, o que indica que os impactos nocivos dessa atividade nos animais são sub-notificados.”

Ou seja, a situação pode ser muito pior do que parece. E esse ano tende a piorar de forma geral, por causa da copa do mundo.

Os impactos aos humanos são bem conhecidos, como amputações, estresse em crianças, autistas, doentes, idosos, etc.


Uma luz no fim do túnel

Diante dessa situação, felizmente foi criado um projeto de lei em 2017, assinado pelo deputado Ricardo Izar no Senado para proibir o uso de fogos de artifício que emitem ruído, como rojões, bombas e morteiros e também uma ideia legislativa sobre o tema (que me motivou a escrever esse post.)
Se você também concorda com a proibição, acesse o site do Senado, se cadastre (é bem rápido) e apoie essa ideia. O endereço é:
https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=96952

Antecipando-se a lei, “cidades como Sorocaba (SP), Florianópolis (SC), Campinas (SP), Pelotas (RS), entre outras, a proibição de fogos de artifício ruidosos já está em vigor.”
Uma jornada começa sempre com o primeiro passo e felizmente essas cidades saíram na frente.


Para saber mais sobre os impactos causados pelos fogos, leia os textos utilizados como referência para esse post:

Entenda o impacto socioambiental do barulho de fogos de artifício 
Ainda é possível influenciar votação no Senado sobre proibição de fogos de artifício barulhentos
Ideia legislativa para proibição de fogos de artifício
Atualizado em 03/06/2018: Prefeito de São Paulo sanciona lei que proíbe manuseio, queima e soltura de fogos com ruídos
Atualizado em 13/06/2018: Justiça suspende lei de São Paulo que proibia fabricação, queima e soltura de fogos de artifício em São Paulo
Retrocesso menos de 10 dias depois... Do que os interesses do sistema não são capazes?
De qualquer forma, espero que os defensores da extinção de fogos de artifício insanos barulhentos consigam vencer essa batalha. Pelos animais, pelos humanos atuais e pelas novas gerações. Pela  natureza. Pelo planeta.

Créditos da imagemkobkik - Free Digital Photos

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Felicidade existe?


Felicidade existe?
Ou existem apenas momentos de alegria? 
Ou seriam melhor descritos como momentos de contentamento?

É possível alcançar a felicidade genuína em um mundo tão conturbado?


Emoticons-felicidade-e-tristeza-em-um-pendulo

Com uns 4 ou 5 anos, eu já me questionava sobre o tema. Eram dúvidas que eu guardava comigo, pois os adultos pareciam tão interessados no mundo material, na vida corrida e agitada... Ou então segundo o meu entendimento nessa idade, não tinham maturidade suficiente para conversar sobre o assunto. Ou não me entenderiam. “Às vezes os adultos são tão infantis! ” – era o que eu pensava sobre alguns deles com certa frequência.

O tempo passou e décadas depois eu ainda não havia encontrado uma resposta que me deixasse apenas um pouco satisfeita. Até encontrar esse vídeo em meados de 2017. Nele, o pregador Tiago Rodrigues aborda o tema de uma maneira bem peculiar e até incômoda, muito diferente da qual estamos acostumados fomos doutrinados a ouvir.



E para você, felicidade existe?

Deixe seu comentário abaixo.


Créditos das imagens: Stuart Miles Free Digital Photos

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O principal


Frequentemente nos perdemos em meio a tantos sonhos, desejos, responsabilidades, problemas, bens materiais... A lista é imensa.

Enquanto isso, a vida passa.
O tempo passa – de forma suave, serena, silenciosa e implacável. Quase sempre estamos tão envolvidos com a vida cotidiana, que acabamos por não ter consciência desse “detalhe”.

A grande questão é: estamos nos dedicando ao que é realmente importante para nós?

O que é importante para você?
O que é essencial para você?

Precisamos mudar
Precisamos parar de acreditar que necessitamos de tantos bens materiais, de milhares de amigos virtuais e de status, pois enquanto estamos preocupados com o que não é importante, o principal está imperceptivelmente escapando de nossas mãos.
O problema é que quando nossa consciência acordar para essa questão, poderá ser tarde demais.

Talvez você conheça a reflexão abaixo.
Uma reflexão simples, mas ao meu ver, muito profunda.

Conta a lenda, que certa vez uma mulher pobre com uma criança no colo, ao passar na entrada de uma caverna, escutou uma voz misteriosa que lá de dentro dizia:
– Entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não esqueça o principal. Lembre-se porém de uma coisa: depois que você sair, a porta se fechará para sempre! Portanto, aproveite a oportunidade, mas não esqueça o principal.

A mulher entrou na caverna e lá encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar ansiosamente tudo o que podia em seu avental.

Moedas-douradas

A voz misteriosa então, falou novamente:
– Você só tem oito minutos.

Esgotados os oitos minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora. Lembrou-se então, que a criança ficara lá dentro e que a porta estava fechada para sempre.

A riqueza durou pouco e o desespero durou para toda a vida.


E então, o que é o principal para você?
Não se esqueça disso. Jamais!
Não se esqueça, antes que seja tarde demais.


Fonte da reflexão: Não esqueça o principal
Créditos da imagemTongrajantaduang Free Digital Photos

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Desafio para 2018


Muitas vezes perdemos o foco de nossos próprios objetivos.

O tempo passa e nossos propósitos vão ficando cada vez mais distantes e até improváveis de serem concretizados, pois não é raro nos concentrarmos no que não queremos quando o ideal seria o contrário.

Por isso, minha dica para o início de 2018 é: concentre-se no caminho que você quer trilhar e pare de dar atenção ao caminho que quer evitar.

Sei que não é fácil, pois um hábito formado é difícil de ser substituído. Mas não é impossível.

Resultados diferentes só serão alcançados através de estratégias diferentes.

Como disse Albert Einstein:
"Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual."


Lupa-aumentando-frase-foco-no-sucesso

Créditos da imagemDanilo Rizzuti Free Digital Photos