terça-feira, 16 de outubro de 2018

O lado bom das redes sociais


Ao pensar em redes sociais, geralmente a primeira imagem que vem à mente são de pessoas felizes em lugares maravilhosos - a vida que todos queriam ter. Parece que momentaneamente esquece-se de que todos - ou a grande maioria - posta fotos de seus melhores momentos. E não o contrário.

Em quantas postagens você já viu a foto de uma pessoa muito sorridente em frente a um prato de jiló com arroz e a descrição "Que prato maravilhoso"? Uma pizza, um bolo ou um doce parecem combinar mais com a frase acima, não é? Pelo menos na cultora ocidental, creio que sim.

Qual das duas postagens acima seria a mais popular e mais agradável aos olhos - jiló ou pizza? É até desnecessário dizer.


emoticons


Mundo de ilusão

Todos - ou pelo menos a maioria - quer mostrar o seu melhor exteriormente nas redes sociais. Há muita preocupação com o exterior, com a aparência, em um mundo virtual de ilusões, que parece até ter sido criado com esse sendo um dos pilares.

Como era de se esperar, ao ver tantas fotos de pessoas aparentemente felizes, a frustração em algum momento virá, pois a tendência humana é a de subestimar a tristeza e superestimar a alegria de outras pessoas, assim como ocorre com músicos e atletas: ninguém sabe o quanto de dedicação, foco, perseverança, dor física, treino exaustivo, cansaço e privações foram necessários para alcançar-se grandes resultados. Vê-se somente o momento da glória e da vitória, negando-se a existência da dura jornada para o resultado final.

O ideal seria que houvesse na mente de forma bem clara que todas, absolutamente todas as pessoas têm dias ruins e que posts nas redes sociais são apenas uma faceta das várias inerentes à vida moderna.


Por que estou dizendo tudo isso?

Talvez é isso o que você está se perguntando nesse momento, pois o assunto não tem muito a ver com o título do post. Optei pelo contraste entre o que não agrega nada - ou quase nada - de conhecimento e valor para o que pode realmente fazer alguma diferença positiva na vida.


O lado bom das redes sociais

Tenha em mente que me refiro a todos os tipos de redes sociais: imagens, textos, videos, etc. Em todas elas, inevitavelmente você encontrará muitas futilidades e bobagens, mas muita coisa boa também.

Há canais e páginas específicas para os mais variados assuntos: finanças, vendas de artigos usados, meditação, músicas, ginástica, astronomia, culinária, games, jardinagem, religião, saúde, resenhas de livros, minimalismo, idiomas, reflexões, eletrônica, desenvolvimento pessoal, fotografia... A lista é imensa!

Além disso, o número de opções de qualidade tem aumentado cada vez mais, pois o que antes era amador tem se profissionalizado cada vez mais. Por isso, é muito importante que você utilize as redes sociais a seu favor e não contra você.

O tempo é um recurso finito e não renovável, por isso é essencial que cada um aprenda "a navegar e não a naufragar na internet", como disse Mário Sérgio Cortella.

Outro ponto positivo das redes sociais é reencontrar pessoas com as quais perdeu-se o contato, fazer novas amizades, aumentar a networking. Algo muito bom e que nem sempre ocorre no mundo real: no mundo virtual estamos em contato com pessoas que possuem os mesmos interesses, de forma que a troca de experiências e o compartilhamento de informações enriqueça a vida de ambos - e de muitas outras pessoas em caso de comentários públicos.

É importante ressaltar que entre as páginas sérias, há muitas com informações falsas e/ou duvidosas, mas que aparentam seriedade também. Por isso é fundamental verificar as fontes utilizadas no conteúdo postado e também nos comentários, que são uma boa forma de validação ou não do conteúdo. Na área de saúde e tratamentos naturais, o cuidado deve ser muito maior, pois há uma enorme quantidade de informações falsas que podem ocasionar sérios danos à saúde.



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Conclusão

Para alguns, fonte de frustração. Para outros, fontes de conhecimento, de maior amplitude de visão e compreensão do mundo e da vida.

As redes sociais podem ser suas maiores inimigas ou suas melhores aliadas na busca por autoconhecimento, objetivos e interesses pessoais. Por isso, procure focar-se mais no que realmente te ajudará de alguma forma a ser uma pessoa melhor. Agindo assim, é bem provável que com o passar do tempo, as futilidades e assuntos sem importância para você já não façam mais sentido - se é que isso já não ocorreu.


Crédito das imagens: Pixabay

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Para pensar #73


Amar o próximo que está distante é fácil. 
Difícil é amar aqueles que estão próximos a nós.
Madre Teresa de Calcutá 



terça-feira, 9 de outubro de 2018

Enquanto ainda há tempo - o post mais difícil de ser escrito


Esse post foi inspirado no poema "Dia de Cão", do blog Momentos e Inspirações.

As palavras do Toninho me tocaram profundamente, talvez por eu sentir um pouco de culpa sobre o assunto.


"Vejo, que hoje estarei esquecido.
Todos eles plugados na internet,
A bolinha inerte no canto da sala,
Parece dizer, hoje não é dia de cão."
Toninho

O tempo passa muito rápido, mas não nos damos conta disso no dia-a-dia. Parece que vivemos a maior parte da vida de forma automatizada - exceto em momentos de eventos específicos agradáveis ou não como aniversários, festas diversas, problemas de saúde e funerais.

Geralmente estamos muito ocupados! O excesso de atividades, compromissos, obrigações, trânsito e conectividade nos esgota, nos deixa cansados, estressados, frustrados. Essa não é a vida que planejamos ou almejamos, muito pelo contrário.

cachorro-com-bolinha-aguardando-alguem-para-brincar

E ao chegarmos em casa, lá estão eles - nossos amigos de quatro patas nos esperando.

Nos recebem sempre com muito entusiamo, exceto se não estiverem bem. Entusiasmo que muitas vezes não é correspondido, pois a frustração, o cansaço e o estresse diários tiram de nós até o ânimo para correspondermos à altura - ou um pouco ao menos.

Alguns cães não se contentam com tanta frieza e insistem. Perda de tempo: provavelmente levarão uma bronca e de cabeça baixa irão para o seu cantinho.

A maioria deles percebe o deplorável estado de ânimo do tutor e nem tenta nada. Sabem que é mais um dia no qual não receberão o carinho tão esperado. São sempre experts em detectar nosso estado de humor - se estamos felizes, tristes, preocupados, tensos, etc.


Nos esquecemos...

Quase sempre não nos lembramos de que o tempo deles não é como o nossoHoje eles estão aqui. Daqui a pouco não estarão mais. 10, 15 anos passam tão rápido!

Além disso, a noção de passagem do tempo para eles é bem diferente da nossa. Uma hora fora de casa já é motivo para saudades, felicidade e festejos intensos. Imagine então 12, 16 horas longe de quem eles mais amam... 

Os meus mais novos já estão com 7 anos. Não parece que faz tanto tempo assim que nasceram, parece bem menos, uns 2 ou 3 anos talvez.  

O mais velho está com 13 anos, mas parece que faz uns 5 - no máximo - que o resgatamos da rua. Estava com múltiplas fraturas, sem movimento em uma das pernas. Apenas 2 meses de vida e já havia passado por tanto sofrimento! Ao voltarmos do veterinário nesse mesmo dia, lembro exatamente o cantinho que ele escolheu para deitar-se. Isso ocorreu em 30/12/2005. Mas não parece que faz tanto tempo.

No final das contas, parece que para nós, a noção de passagem do tempo também vai mudando ao longo da vida...


Conviver com cães: um privilégio

Considero um privilégio ter nascido com cães em casa. Foram 18 até hoje - 5 no momento.

Alguns eu vi nascer, ajudei nos partos, nos cuidados nos meses iniciais. Foram momentos inesquecíveis, maravilhosos! É uma fase na qual começam a descobrir o mundo. As brincadeiras de filhotes, o hálito de leite, as mordidinhas suaves dos filhotes - são lembranças que me fazem sorrir.

A maioria eu vi morrer. A alegria inicial do nascimento foi lentamente sendo tragada pela morte que um dia inevitavelmente chegou. Não consigo ver as fotos e videos de muitos deles com aquela saudade agradável e singela que muitos conseguem. Vejo com tristeza e com lágrimas. Algumas fotos eu até evito ver. Sempre penso que poderia ter feito mais, passado mais tempo com eles. Como eu disse no post Perdoar a si mesmo: como isso é difícil!, quantas vezes deixei de fazer o meu melhor.... Inevitavelmente nesses casos, a culpa machuca, corrói, mas pelo menos serve de lição para que eu não cometa os mesmos erros novamente - ou pelo menos tente não cometê-los. Quem vê de fora, até os mais próximos, acham que eu fiz o meu melhor, mas eu não consigo ver dessa forma. Para mim, embora sempre tenha sido muito dedicada no cuidado e em passar tempo com eles, eu poderia ter feito melhor. Algumas vezes a mente e a consciência humanas são muito complexas e acusadoras...

Minha relação com os cães sempre foi muito próxima e intensa. Sempre há um que quer mais atenção, um que fica mais quieto, um que é mais ciumento - algumas vezes é difícil manter o equilíbrio nesses casos, mas nada que uma repreensão verbal mais forte não resolva. Ou mudar o foco, distraindo-os com algo interessante.

E sempre há um que nos "adota" como dono. Com esse, sem dúvida, a conexão e afinidade são maiores.

Gosto das diversas personalidades, das maneiras de agir e interesses diversos. Há os que latem, os que uivam, os que não gostam de comer pela manhã, os que dormem muito, os mais animados, os mais calmos, os que comem demais, os que gostam de água, os que fogem da água...

Atualmente tenho dois que parecem patos - os de 7 anos. Sempre gostaram muito de água! Para mim foi uma novidade, pois todos os outros com os quais convivi sempre fugiam da água - sem exceção.

Exceto a fêmea que é bem tranquila, os quatro machos gostam muito de brinquedos - bolinhas de tênis são as preferidas de todos.


Voltando ao início

Aqui eu gostaria de voltar ao poema inicial. Enquanto muitas vezes estamos cansados ou ocupados com futilidades na internet, na televisão, etc, o tempo vai passando de forma silenciosa, irremediável e implacável. E a vida dos nossos amados animaizinhos de estimação também.

E um dia, não muito distante, a bolinha estará inerte no canto da sala. Não por que estamos ocupados demais, mas por que nosso grande amigo de quatro patas não estará mais lá para com ela brincar...


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O post mais difícil de ser escrito...

Durante todos os anos do blog, esse sem dúvida foi o post mais difícil de ser escrito... 

Espero que ele te proporcione boas reflexões. Mesmo que você não tenha animais de estimação, que meu post te leve a pensar nos relacionamentos interpessoais - pois assim como a vida dos cães passa muito depressa, a vida de muitas pessoas é ceifada muito antes do que é considerado normal, devido a acidentes e doenças.

Que estejamos mais presentes - presentes de verdade - durante os momentos de convivência com aqueles que realmente são importantes para nós, sejam pessoas ou animais.

cachorro-brincando-com-bolinha-de-tenis


Uma singela homenagem

Gostaria de terminar esse post com uma homenagem para todos os animais de estimação que fazem parte ou que passaram pela vida de todos os leitores do Simplicidade e Harmonia.

Nosso elo com o paraíso 
(Postado originalmente em 4 de abril de 2017)

Ah, os cães! 
Só quem os tem ao seu lado sabe como são criaturas especiais, tão importantes auxiliadores para a harmonia e o equilíbrio diários. 
Eles nos dão muito, muito mais do que merecemos e não pedem absolutamente nada em troca.
Temos muito, muito mesmo a aprender com eles.


"Os cães são nosso elo com o paraíso. 
Eles não sabem o que é maldade, inveja ou insatisfação. 
Sentar-se numa colina ao lado de um cão numa tarde maravilhosa, é estar de volta ao Éden, onde não fazer nada não era tédio - era paz."
Milan Kundera


Créditos das imagens: Pixabay

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Para pensar #72


Se você acha que o conhecimento não é importante, experimente a ignorância.
Derek Bok



terça-feira, 2 de outubro de 2018

Alimentos inflamatórios


"Nós somos o que comemos". Esse pensamento atribuído à Hipócrates (460 a.C. a 370 a.C.) parece que foi sendo esquecido ao longo do tempo, alcançando o ápice no século XX, principalmente dos anos 50 em diante.

Devido ao desastre na saúde que muitos alimentos causaram, felizmente um número crescente de pessoas tem voltado a atenção para produtos mais saudáveis, com menos conservantes, aromatizantes e corantes.


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O que ocorre?

A ingestão de alguns alimentos ocasiona uma reação imunológica e a resposta do organismo é a inflamação. Há de considerar-se que não há um padrão de resposta, pois cada pessoa possui uma herança genética e um estilo único.

Como toda inflamação provoca o acúmulo de líquido, quando as células adiposas são atingidas há o acúmulo de gordura. Além disso, inicia-se o círculo vicioso da inflamação, que acaba afetando outras partes do corpo, como intestino, pâncreas, articulações, pele, cérebro, etc. Cada pessoa possui mais sensibilidade em determinados órgãos - que serão os primeiros prejudicados.


O resultado

São muitas as doenças ocasionadas pelo consumo de alimentos inflamatórios. Algumas delas são: obesidade, doenças cardiovasculares, câncer (alguns tipo), diabetes tipo 2, doenças neurodegenerativas (alzheimer), doenças autoimumes (lupus, excesso de produção de anticorpos da tireóide, síndrome metabólica, etc).

É bom ter ciência de que nem sempre tais alimentos são os únicos culpados, pois há uma série de fatores que favorecem tais doenças, como sedentarismo, poluição, estresse, herança genética, etc. Mas se através da mudança de hábitos podemos diminuir ou até suprimir tais produtos da alimentação, por que não fazer isso? Não que seja fácil, pois estamos acotumados e geralmente são produtos tão agradáveis ao paladar!


Os vilões da saúde

A lista abaixo é praticamente conhecida por todos como alimentos não saudáveis, mas é bom pensar em tais produtos também como inflamatórios, pois o termo "não saudável" é vago, genérico e muitas vezes acaba perdendo o objetivo de sinalizar como algo realmente prejudicial. É até muito comum nosso raciocínio de esticar o "não saudável" para "só um pouco não vai fazer tanto mal", "não deve fazer tanto mal assim" ou "tantas pessoas consomem esses produtos"! Nunca vi ninguém morrer por causa deles."  São muitas as justificativas...

Eis a lista:

Embutidos - salsicha, mortadela e cia

Fritura e salgadinhos

Refrigerantes e bebidas açucaradas - talvez esse seja o mais óbvio da lista

Pão branco

Biscoitos, doces e bolos - muito óbvio também. Para mim, é uma pena que chocolate também faça parte dessa lista...

Açúcar - uma das maiores aberrações que a criatividade humana conseguiu produzir: é inflamatório, aumenta a glicemia, sobrecarrga o pâncreas, é viciante, etc.

Arroz branco - sei que não é muito bom, mas fiquei surpresa ao vê-lo na lista, pois faz parte da "comida de verdade", está na mesa de praticamente todos - ou quase todos - os brasileiros e também na dieta dos cães que recebem alimentação natural.

É aconselhável que tais produtos sejam a exceção e não mais a regra na alimentação habitual.


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Embalagens e gôndolas

Parece até que quanto mais bonita e chamativa a embalagem, mais prejudicial é o produto para a saúde. Já reparou que um pacote de aveia geralmente possui uma embalagem mais simples, enquanto os cereais de milho (ricos em açúcar) possuem embalagens e caixas mais atraentes? O mesmo ocorre com as bolachas recheadas, salgadinhos, doces, balas, etc.

Frutas também não possuem embalagens atrativas, enquanto os sucos prontos - em pó e líquidos - possuem embalagens muito coloridas.

Não são necessárias estratégias de marketing para vender produtos básicos - não é por acaso que ficam no fundo dos supermercados. Para chegar até lá, se você não andar pelos corredores de produtos de limpeza, é bem provável que para chegar ao seu objetivo, atravesse os corredores dos produtos deliciosos vilões da saúde, que estão ali estrategicamente para induzi-lo a compra.

Não é fácil resistir, mas tente ao menos diminuir a quantidade de itens. Ou nem passe por esses corredores. Tenho alcançado bons resultados com essas duas estratégias.

E nunca vá às compras com fome. A chance de comprar o que não precisa é muito maior. Fiz isso algumas vezes e os resultados foram desastrosos: só fui perceber a aberração de compra ao chegar em casa: bolachas recheadas e pães em excesso. Chocolate já havia em casa, por isso não comprei...


vegetais

Conclusão

Precisamos nos voltar à uma alimentação mais simples, mais nutritiva, satisfatória ao nosso organismo - e não o contrário. Muitos alimentos não deveriam sequer receber essa denominação, de tão prejudiciais que são. 

A alimentação de hoje invariavelmente trará resultados no futuro. Para que esses resultados sejam os melhores possíveis, precisamos fazer boas escolhas no presente. Isso depende apenas de nós.

Nossa saúde futura agradecerá.


Fonte: Metro Jornal - Alimentos anti-inflamatórios combatem doenças e excesso de peso
Créditos das imagens: Pixabay


terça-feira, 25 de setembro de 2018

Os níveis de dificuldade da vida


Para algumas pessoas a vida parece ser tranquila na maior parte do tempo. Para quem observa, a impressão é de que a vida é quase sempre como uma linda e agradável manhã de primavera. Muitas vezes são pessoas financeiramente ricas ou que estão neste caminho. Comparando aos games, seriam as pessoas agraciadas pela vida com o "easy level".  

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Easy level

Problemas todos os seres humanos têm, mas muitos dos que são relacionados à sobrevivência, qualidade de vida e privações por falta de recursos financeiros que frequentemente perduram durante a maior parte da vida de muitas pessoas quase não fazem parte da lista de contratempos dos que estão nesse grupo. Muitos passaram por essas situações, mas as circunstâncias de vida alteraram o rumo para melhor. Sabe aquelas pessoas que estão no lugar certo, na hora certa e que tem o preparo exato para reconhecer as oportunidades? São eles.

Parece que para essas pessoas, 90% dos semáforos da vida estão na fase verde. Comparando a um quebra-cabeças, as peças parecem encaixar-se de uma maneira incrivelmente fácil - ou pelo menos, muito mais fácil do que ocorre nos outros níveis.


Vou utilizar como exemplo a própria blogosfera: há blogs que em pouquíssimo tempo - 6 meses, por exemplo - alcançam níveis quase surreais de visitação e comentários, mesmo que o autor não entenda muito - ou nada - de otimização, SEO, etc. O mesmo ocorre com os canais de vídeo.


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Medium level

Uma parcela significativa da humanidade encontra-se em um nível no qual trabalha-se muito para conseguir recursos que tornem a vida agradável. Muitas pessoas desse grupo acreditam que trabalhar muito pode trazer bons resultados - o que geralmente acontece, pois possuem uma boa bagagem acadêmica e profissional, ou seja, estão preparadas para as oportunidades.

Esse é o grupo do "medium level" - nada vem tão fácil, mas com esforço alcançam seus objetivos e sentem-se realizados. Para eles, os semáforos da vida parecem alternar entre as três fases, mas ainda há a predominância da fase verde. 
Para esse grupo, o quebra-cabeças é montado com uma certa dificuldade, mas é finalizado com sucesso em um pouco mais de tempo do que os do grupo "easy level".

Na blogosfera, seriam os blogs que com 2, 4 anos conseguem uma boa classificação no ranking Alexa, visitação e comentários frequentes. Nesse nível, houve mais trabalho, mas o resultado também foi satisfatório.



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Hard level

O terceiro grupo é formado por pessoas que se esforçam muito, mas conseguem poucos resultados. Sempre há alguém considerado melhor que fica com a vaga de emprego. No estacionamento, é aquela pessoa que fica rodando, rodando a procura de uma vaga. Ou que chega atrasada no emprego por que havia interdição viária no caminho, o ônibus quebrou, etc. 

Parece que para esse grupo a Lei de Murphy - que diz que tudo o que pode dar errado provavelmente dará mesmo - quase não dá trégua.


Nesse grupo, a sobrevivência fala mais alto: pouco dinheiro e muitos sonhos. Há boa intenção, há disposição, mas os resultados não ocorrem como esperado. Esse é o grupo do "hard level", para o qual a maior parte dos semáforos da vida está na fase amarela mudando para o vermelho. 
Nesse grupo, desconfio até que há peças faltando no quebra-cabeças da vida...

Pensou que havia terminado? Ainda não.



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Extreme level

Por último está o grupo dos que se esforçam muito, muito mesmo, mas quase nada conseguem. Não raro há muita privação de recursos e falta de qualidade de vida. Nesse grupo estão aquelas pessoas para as quais quase nada dá certo. Muitas delas têm boas intenções, mas são de alguma forma passadas para trás com grande frequência no âmbito profissional e afetivo principalmente.


Esse é o mundo do "extreme level", no qual quase todos os semáforos da vida parecem estar na fase vermelha. 
Se no grupo anterior havia a possibilidade de peças faltando no quebra-cabeças, aqui a situação é muito pior. Parece até que as peças são menores e que há muitas delas realmente faltando!

A Lei de Murphy chega a funcionar de forma surreal: tudo o que pode dar errado vai dar errado mesmo. No estacionamento é aquela pessoa que acabou de passar por um corredor, então olha pelo retrovisor e vê uma vaga sendo liberada e outro carro - provavelmente de um "easy level" estacionando. Ou é aquele que chega 10 minutos atrasado para uma consulta, mas o médico já foi embora ou nega o atendimento.

Na blogosfera seriam os blogs muito bons que por algum motivo não decolam, mesmo com muito esforço ou dedicação. As coisas simplesmente não acontecem! E de modo geral, quando alguma coisa dá certo, já passou tanto tempo, que já não é algo de tanto interesse assim para a pessoa.



A impermanência de cada dia


De forma geral, a humanidade sempre almejou a permanência. A engenharia e a arquitetura são bons exemplos. Os hábitos também.


O problema é que a permanência é limitante e impede o crescimento pessoal. Em relação aos níveis de dificuldade da vida, seria desesperador ir do início ao fim nos modos "hard" ou "extreme" enquanto outras pessoas vivem tranquilamente no modo "easy", não seria?


Em inúmeras situações, a impermanência é sem dúvida desconfortável, mas essa é uma condição impossível de ser modificada, por isso, precisamos aprender a utilizá-la a nosso favor.


Quem não gostaria de ir do "extreme" ao "easy"? Percebeu a importância da impermanência?


Não é fácil mudar de categoria para melhor, mas não é impossível

Mudar para pior é relativamente fácil, enquanto que a mudança para melhor exige muito esforço, dedicação e sabedoria para escolher o que é mais adequado, inclusive em relação às amizades.


A mudança de categoria passa pelo preparo, pela renovação da mente e por um pouco de otimismo - mas não em excesso, que é muito prejudicial por confundir o raciocínio em relação à coisas óbvias. Pensamentos como "no final tudo dará certo" muitas vezes mais prejudicam do que ajudam, pois remetem à inércia.



Seus pontos fortes


É essencial que você conheça e desenvolva seus pontos fortes, valores e ideais, pois são eles que devem nortear a sua vida. Através deles você poderá alcançar resultados significativos.


Em relação aos pontos fracos, o máximo que deveria tentar é neutralizá-los. Cada pessoa nasce com um conjunto personalizado de características, por isso, nada mais natural e sábio do que melhorar no que você já é bom para alcançar a excelência e não perder tempo tentando melhorar o que não é de seu interesse ou o que não tem muita afinidade, pois o máximo que conseguirá é estar na média, enquanto ao trabalhar seus pontos fortes poderá realmente destacar-se.



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Conclusão

Apesar de não parecer, há aprendizados em todos os níveis da vida. Precisamos aprender a extrair o melhor do nível no qual nos encontramos. Alguns conseguem fazer um "upgrade" mais rápido. Qual é o segredo? Eu também gostaria de saber...

De qualquer forma, precisamos estar ao lado de pessoas melhores do que nós, pois o poder da influência é muito grande - e muitas vezes negligenciado. No final, somos o resultado das pessoas com as quais mais convivemos.

Sempre trate a todos com respeito, mas que a sua inspiração venha de pessoas melhores que você. Na finasfera temos muitos exemplos nesse sentido: os que se inspiram nos mais experientes para iniciar os investimentos, os que trabalham e investem muito por acreditar que podem ser bem-sucedidos no futuro e os que atingiram a tão sonhada Independência Financeira. Nenhum dos que conheço parece ter iniciado no "easy level", embora na vida real eu conheça algumas pessoas desse grupo. Muitos de nós estão no "hard level" e vários começaram no "extreme level". Mas venceram. Ou estão nesse caminho.

Dias melhores virão para quem espera e age nesse sentido, assim como dias piores virão para aqueles que, mesmo de forma inconsciente, caminham nessa direção através de atitudes erradas, inércia ou auto-sabotagem.




Crédito das imagens: Pixabay


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Você tem o hábito de espreguiçar-se todos os dias?


Com o passar do tempo e com as crescentes demandas diárias, aos poucos vamos perdendo o hábito de nos espreguiçar corretamente ao levantar. A questão é que esse simples e rápido ato matinal diário faz muito bem à saúde.

Veja abaixo alguns benefícios:
Lubrifica as articulações
Ativa a circulação sanguínea
Proporciona mais disposição
Melhora o humor
Diminui a tensão muscular
Alivia dores crônicas
Diminui o estresse
Melhora a flexibilidade


Minha experiência

Há alguns anos eu comecei a sentir dores nas costas, principalmente na coluna lombar e cervical. Fiz sessões de fisioterapia, alongamento e praticava os mesmos exercícios aprendidos na fisioterapia em casa. Até comprei uma bola de pilates, já que era utilizada em um exercício - o mais relaxante e agradável de todos os que aprendi na clínica.

Com tudo isso a dor melhorou muito, mas de vez em quando ainda aparecia de forma leve ou um pouco além disso, mas nada comparável com as anteriores, mais intensas.


Reaprendendo

Sabe quando as coisas são óbvias, mas parece que não temos consciência ou nos esquecemos com o passar do tempo? Foi o que aconteceu comigo.

Ainda bem que meu professor tem muita paciência e não desiste de me ensinar e de me lembrar diariamente.


cachorro-espreguicando-se

Quem tem cães em casa sabe que eles sempre se espreguiçam sem pressa no início do dia.

O que poucos percebem é que com o passar do tempo, eles também vão perdendo o hábito de espreguicar-se. Além disso, o alongamento passa a ser bem mais curto em tempo e em intensidade. Por isso, se você convive com os seres maravilhosos chamados cães, não interrompa esse momento tão importante para a saúde deles. Por mais pressa que você tenha, 20 ou 30 segundos a mais provavelmente não farão tanta diferença assim em sua vida. Quando algum dos meus cães começa a se espreguiçar, eu simplesmente paro onde estou até que ele termine, pois não quero estragar esse hábito na vida de nenhum deles - embora nos mais velhos é cada vez mais raro eu presenciar esse exercício que outrora era tão comum.


Lição aprendida!

Um hábito leva algum tempo para ser realmente incorporado à rotina de forma natural, mas acredito que eu tenha conseguido um bom resultado. Além disso, as dores na coluna praticamente sumiram - às vezes sinto algum desconforto leve, que acaba servindo de lembrete: além de espreguiçar (não só de manhã, mas várias vezes durante o dia), os exercícios e alongamentos também são importantes.

Se você tem dores na coluna, o ideal é que procure um médico para que seja feito o diagnóstico correto, mas fica a dica: volte a espreguiçar-se. Acredito ser bem provável que você também alcance bons resultados como eu alcancei.



Referências
Minha Vida - Sete bons motivos para você se espreguiçar todos os dias
Portal da Educação Física - Hábito de se espreguiçar traz inúmeros benefícios ao corpo
Estudo prático - Por que a gente tem necessidade de espreguiçar?
Unimed Londrina - Espreguiçar faz bem à saúde
Fisioteraoeuta Rodrigo Peres - Os benefícios de espreguiçar-se

Créditos das imagens

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Para pensar #69


Casa bagunçada

               =
Vida bagunçada
               =
Relacionamentos bagunçados


terça-feira, 11 de setembro de 2018

Foco


Foco.
Esse deveria ser um dos principais objetivos em nossas vidas.

O foco aumenta a produtividade, a objetividade e ainda pode ajudar a melhorar a concentração.

A sociedade moderna, que almeja tanto que as pessoas sejam multitarefas, parece ignorar o fato de que o nosso cérebro funciona melhor executando uma tarefa de cada vez. (Clique aqui para saber mais sobre o assunto).

Apenas uma. 
Não duas, nem três.
Apenas uma tarefa por vez.

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O resultado?

Produzimos muito menos do que nossa capacidade, pois ao tentarmos fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo, não somos capazes de dar a devida atenção a todas as tarefas - e pelo menos uma delas poderá não sair a contento. Além disso, a falta de foco prejudica a criatividade ou a resolução de problemas, pois como vou pensar em algo diferente ou ter alguma ideia, se minha mente é obrigada a alternar entre duas ou três atividades ininterruptamente?

Além das atividades externas, com muita frequência nossa própria mente nos atrapalha com um encadeamento sem fim de pensamentos. Se o pensamento em questão estiver relacionado a alguma pendência (contas a pagar ou mensagens a enviar, por exemplo), convém anotar o lembrete mental em um papel, pois assim, o pensamento não mais ficará voltando à mente, tirando o foco da atividade executada no momento. Uma atitude simples, mas que funciona de forma muito eficaz.

Ainda em relação as interrupções mentais, já reparou que ao ler um livro, de repente, você está pensando ou divagando em assuntos que não possuem nenhuma relação com a leitura?

Às vezes a dispersão é boa, pois nos ajuda a ter novas ideias ou soluções. O problema é que estamos dispersos demais! Devido ao excesso de informações e de estímulos sensoriais, nossa mente parece não "desligar" nunca.

Quando foi a última vez que você fez uma refeição saboreando integralmente o alimento, sem pensar em absolutamente nada além de apreciar os diversos sabores e nuances do prato escolhido?

Quando foi a última vez que você conseguiu conversar prestando total atenção na fala do seu interlocutor sem ter pensamentos paralelos ou interrompendo a sua fala?

Além do foco ser importante para o aumento da produtividade, é muito útil também para a satisfação pessoal, para que ao final do dia não nos sintamos frustrados por termos feito tantas coisas, mas sem estarmos realmente presentes a maior parte do tempo.

Se eu te perguntasse: hoje você fez algo que te deixou muito satisfeito, contente, com sensação de pertencimento e de estar realmente vivo?

Ou você vivenciou todas essas sensações, mas de forma branda?

O que você sentiu ao final do dia, em termos de satisfação pessoal assemelha-se mais a uma imagem muito colorida, alegre, viva...

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... ou a uma imagem em preto e branco?


lapis-em-imagem-preto-e-branco


Qual seria a sua resposta?


Conclusão

É necessário foco para sermos mais produtivos, mais objetivos, menos dispersos, mais satisfeitos, mas principalmente para que nossa vida não seja como uma tela pintada por nós mesmos apenas em preto e branco.


Créditos das imagens: Pixabay


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Para pensar #68


Quando a turbulência das distrações diminui e nossa mente se acalma, um profundo sentimento de felicidade e satisfação surge em nosso interior, que nos ajuda a lidar com a agitação e as dificuldades da vida cotidiana.
Gueshe Kelsang Gyatso Rinpoché



terça-feira, 4 de setembro de 2018

A sua travessia do Mar Vermelho


Acredito que muitos leitores do Simplicidade e Harmonia conheçam o episódio bíblico da travessia do Mar Vermelho. Para quem não conhece, veja aqui.


travessia-biblica-do-mar-vermelho

Resumindo, o povo de Deus fugia do Egito enquanto o exército de Faraó o perseguia. Assim que chegaram na margem do Mar Vermelho, o mesmo se abriu e o povo de Deus atravessou em segurança até o outro lado.


Diversas personalidades

Entre o povo de Deus, provavelmente haviam pessoas com vários tipos de personalidade, de quantidade/qualidade de fé, de autoestima, etc. Imagino alguns deles:

- Aqueles que estavam felizes, agradecidos pela oportunidade de uma nova vida em um outro lugar, com boas expectativas em relação ao futuro.

- Aqueles que também estavam agradecidos por terem saído do Egito, mas que não conseguiam vislumbrar algo tão bom quanto os do grupo acima.

- Aqueles que estavam ansiosos em relação a travessia e mais ainda em relação ao futuro.

- Aqueles que só estavam ali por influência e insistência dos familiares e amigos, pois acreditavam que a vida no Egito não era fácil, mas que em um lugar desconhecido poderia ser muito pior.

- Aqueles que queriam atravessar o mais rápido possível, pois tinham medo de que algo pudesse dar errado durante a própria travessia.


Em qual desses grupos você estaria?

Talvez ao ler as descrições acima, você tenha se lembrado de pessoas de sua convivência. E até reconhecido a si mesmo em algum desses grupos. Se isso não ocorreu, leia de novo. Acredito que em algum momento isso irá ocorrer.


Ambientes diferentes, resultados diferentes

Para algumas pessoas, as circunstâncias da vida são mais fáceis e para outras, mais difíceis. Ou muito mais difíceis. Talvez  por isso, as pessoas do último grupo que descrevi são praticamente opostas as do primeiro grupo. Uma grande parte desse resultado foi escrito na primeira infância (até os 7 anos) época na qual é construída a base da personalidade e dos valores que tornam-se mais sólidos com o passar do tempo.

Um exemplo: um adulto que na infância foi comparado por pessoas importantes à ele (pai, mãe, irmãos, avós, etc) de forma negativa aos seus semelhantes, provavelmente se sentirá inferior, incapaz e apresentará baixa-autoestima. Ao mesmo tempo, um adulto que foi muito elogiado por pessoas importantes à ele, provavelmente se tornará uma pessoa confiante, capaz, otimista, mas dependendo do tipo e quantidade de elogios, poderá sentir-se superior aos seus pares. Por isso, o equilíbrio é fundamental até nos elogios: sem comparações negativas, mas também sem excesso de elogios.


Como está sendo a sua travessia do Mar Vermelho?

Entenda Mar Vermelho como um símbolo para um momento crítico em sua vida. Se você já o atravessou com sucesso, parabéns! Acredito que além do objetivo alcançado, preciosas lições foram aprendidas.

Se você faz parte do primeiro grupo descrito, parabéns também! Acredito que fará uma travessia bem sucedida, pois sua mente provavelmente tende a procurar oportunidades em meio as dificuldades. Geralmente pessoas desse grupo dão muito mais importância em encontrar soluções do que analisar excessivamente os fatos ou sentirem-se vítimas das situações desafiadoras da vida - atitudes negativas que distanciam ainda mais a pessoa de uma possível solução.

Mas se você faz parte da grande multidão que, com certa desconfiança, continua a travessia, tente enxergar a vida e a situação em que se encontra como fariam as pessoas do primeiro ou segundo grupo descritos. Lembre-se de pessoas que você conhece que possuem essas características. Com acredita que agiriam em uma situação semelhante? Se for possível, caso você se sinta confortável e seja alguém confiável, converse com essa pessoa - que sabe aí não possa surgir uma boa ideia?

Veja abaixo. A qual das categorias você pertence? 

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Clique na imagem para ampliá-la



Conclusão

Independentemente do local em que se encontra na travessia ou se já a terminou, alguns valores precisam ser muito exercitados ou estar adequadamente disponíveis em nossa mente para os momentos de necessidade. Cada um de nós possui a sua lista pessoal, mas abaixo cito alguns deles:

Bondade
Confiança
Contentamento
Determinação
Disciplina
Equilíbrio

Foco
Paciência
Perseverança
Respeito
Sabedoria
Serenidade
Tolerância

Muitas vezes, as nuvens parecem tão densas, sólidas, infinitas, impossíveis de se dissiparem. Mas por maior que seja a tempestade, em algum momento o sol voltará a brilhar - momento no qual essa travessia do Mar Vermelho estará concluída com sucesso.

Haverão outras travessias, outros momentos de dificuldade, mas parece que com o tempo, vamos nos tornando mais resilientes, mais sábios, mais serenos e de certa forma, um pouco preparados para o que a vida nos reserva.


Créditos das imagens:
Mar Vermelho - EB Virtual
Responsável X Vítima - Acervo ST
Clique no link acima para ler a resenha do livro "A Única Coisa" feita pelo Scant Tales. Vale muito a pena!


terça-feira, 28 de agosto de 2018

Transtorno de acumulação


Você já deve ter visto essa cena: uma casa com muitos objetos espalhados de forma desordenada, do lado de dentro e também no quintal.

Frequentemente tal acúmulo congestiona as áreas da casa e alteram de forma significativa seu uso originalmente previsto. Além da sujeira e insetos que obviamente tal excesso e bagunça atraem.


casa-baguncada

Há acumuladores para quase tudo o que conhecemos: revistas, jornais, recortes de jornais, caixas usadas de pizza, livros, louças, sapatos, joias, plantas, materiais de construção, filmes, madeiras, parafusos, animais de estimação, materiais elétricos, papéis, peças de computadores ou até mesmo computadores inteiros, brinquedos, etc. Com a internet, acredito que a acumulação virtual também tenha aumentado de forma significativa na vida de muitas pessoas.

O caso mais inusitado que ouvi dizer até hoje foi em um dos programas "No Divã do Gikovate", que era transmitido pela Rádio CBN. O ouvinte relatou que seu colega de quarto revirava os recipientes com lixo da cidade a procura de documentos de identificação. E quando os encontrava, levava para casa! Para piorar a situação, havia também a coleção de jornais...


Coleção x acumulação

De forma funcional é agradável o ato de colecionar algo. Talvez ajude a dar algum sentido a vida, proporcionar o senso de pertencimento. E proporcione também um pouco de felicidade.

Quem não se lembra dos álbuns de figurinhas na infância? Nem sei se ainda existem, provavelmente não.

Conforme vamos crescendo, as coleções mudam: revistas, livros, miniaturas diversas, perfumes, cd's (que praticamente não existem mais), pôsteres de artistas, jogos de video-game, etc.

Então, chega um momento na vida em que nossas coleções - tão amadas durante muitos anos - já não fazem mais tanto sentido assim para nós.

Após algum tempo, geralmente uma das opções abaixo é escolhida:

1) Venda.
2) Doação.
3) Guardar para filhos ou netos.
4) Guardar uma parte como lembrança, caso isso seja possível. Não dá para guardar uma parte de uma boneca, por exemplo, mas um cd, um livro ou uma miniatura sim.

Em caso de venda ou doação, não há angústia ou tristeza pelo fato de nos desfazermos das coleções. Quando vendo ou doo algo que não tem mais utilidade ou que não faz mais sentido para mim, procuro pensar também no quanto tal objeto poderá ser útil à outra pessoa, cumprindo a função para a qual foi criado - que não é estar guardado indefinidamente em um armário ocupando espaço.

Particularmente acredito que precisamos abrir espaço para o novo em nossas vidas. E uma das maneiras de fazer isso é tirando muitas coisas que temos em excesso, mas que sabemos que não usaremos ou não queremos mais - o famoso "destralhar" - que não é fácil, mas acredito que seja necessário para vivermos de forma equilibrada.

Não lembro quem é o autor da frase, mas resume bem o que penso:
Casa bagunçada = Pensamentos bagunçados = Vida bagunçada

Já reparou que acumuladores geralmente não se desenvolvem, parece que a vida deles não deslancha?


Mas o acumulador não pensa assim...

Para o acumulador, tirar qualquer objeto causa desconforto, angústia e até raiva - se o objeto for tirado por outra pessoa.

A casa pode estar repleta de coisas imprestáveis e inúteis, mas o portador desse transtorno vê normalidade em meio ao caos da bagunça, desorganização e sujeira.

De maneira disfuncional, muitos acreditam na necessidade de guardar tudo, pois algum dia, em um futuro muito distante, quem sabe aquele único parafuso - em meio a 500 - não será realmente útil? Ou quem sabe aquele pedaço de portão enferrujado velho sirva para algo? Ou então o cabo de antena analógica do televisor? Nunca se sabe.... - É assim que funciona uma parte da mente do acumulador.

Por incrível que pareça, para cada objeto guardado há sempre uma justificativa - que faz sentido apenas para o acumulador.


O valor sentimental

Nas coleções que citei acima e também em muitos objetos que possuímos, é inegável a existência do valor sentimental - acredito até que em muitos casos, o sentimento seja o responsável por tornar muitos objetos especiais.

No caso do acumulador, não que todos os objetos sejam especiais - há os que podem ser nunca serão utilizados no futuro, mas há um excesso de objetos relacionados à memória, como página se mais páginas de revistas e jornais,  roupas, artigos para casa, e até objetos de pessoas falecidas. Objetos que nunca são ou serão usados, "para preservar a memória de fulano". Há quem guarde até dentaduras de quem já não está mais nesse mundo!

Como dá para perceber, são pessoas que possuem um apego exagerado e disfuncional por quase tudo o que possuem. Mas como não estão satisfeitas com tantos objetos, querem possuir mais ainda! Tanto que há casos em que autoridades precisam ser acionadas para efetuar a limpeza do local - a contragosto do acumulador, claro.

O mais assustador é que tudo é feito de forma consciente e intencional - isso dá uma ideia de quão misterioso é o nosso próprio cérebro.


Voltando um pouco ao passado

Há meio século ou mais, as privações eram maiores, por isso acumulava-se mais. Era algo muito normal. Mas fazia sentido.

Guardar, por exemplo, uma caixa com 50 parafusos e pregos não utilizados fazia sentido, pois a chance de serventia posterior era muito grande. Pelos relatos, parece que quase tudo, de uma forma ou de outra, era aproveitado ou reaproveitado, mas hoje, com uma certa facilidade para comprar-se parafusos (para seguir o exemplo acima), que custam R$ 0,10, R$ 0,50 ou até que custe R$ 5,00, não faz sentido guardar 500 deles para depois ter que procurar 1 entre 500. Mas para o acumulador, faz sentido! E muito, pois o raciocínio é mais ou menos assim: "Ainda bem que guardei, por isso acho que tenho o parafuso exato que preciso. Agora é só procurar 1 entre os 500".


ilustracao-de-uma-sinapse-cerebral

O pior ainda está por vir

Somos criaturas de hábitos. Cada um deles forma conexões cerebrais que ficam mais - ou menos - fortalecidas com o passar do tempo. Quanto mais acessado um determinado caminho, mais fácil será a execução das sinapses. Um exemplo é aprender um instrumento musical. Ou aprender a dirigir. Ou cozinhar. No início, pensar em todos os passos e executá-los de forma assertiva é bem difícil, mas com o tempo, tudo começa a fluir naturalmente., pois as conexões cerebrais envolvidas estão bem estabelecidas. Todas as atividades que fazemos habitualmente, ser uma pessoa agradável ou ranzinza, etc: você já reparou que tudo se intensifica com o passar do tempo?

Com a acumulação não é diferente. Por isso, a intervenção médica é muito importante, antes que o problema se torne crônico ou de difícil solução. O problema é convencer uma pessoa com transtorno de acumulação a procurar ajuda, pois assim como em outros transtornos psiquiátricos, quem padece desse mal acha que o problema são os outros, que está sendo perseguido, que não é compreendido, que os outros é que tem excesso de zelo e organização, etc.

Será que é uma disfunção que faz parte da personalidade como ocorre com os antissociais? Sinceramente não sei.


baloes-de-pensamento-vazios

Momento de reflexão

Para finalizar, gostaria de sugerir que você reflita nesse tema de forma muito sincera com você mesmo.

Você possui objetos que sabe que nunca mais vai usar, mas tem dificuldade em dar um novo destino à eles?

Percebe que seus armários estão quase cheios de objetos que não são mais úteis à você?

Os cômodos de sua casa estão livres de coisas espalhadas pelo meio do caminho?

Você tem objetos que acreditou talvez precisar algum dia, mas do qual durante os últimos 5 ou 10 anos nunca necessitou?

Talvez no início seja menos complicado a reversão do transtorno de acumulação, pois as sinapses ainda não são tão sólidas. 

Se você se identificou com alguma das questões acima ou reconheceu-se no post, gostaria de sugerir que reflita muito no assunto, pergunte a opinião de seus familiares e amigos. Se necessário, procure ajuda especializada, pois a consciência de que algo está errado juntamente com o interesse e a vontade de procurar um tratamento adequado são muito importantes para o alcance de bons resultados.

Assim como em tudo na vida, com o tempo as sinapses cerebrais voltadas à acumulação vão sendo fortalecidas enquanto a consciência sobre a posse excessiva de objetos inúteis vai sendo enfraquecida.
É assim que nosso cérebro funciona. Para o bem ou para o mal.


Obs: esse post foi baseado em minha experiência pessoal com um parente próximo acumulador, que nunca assumiu o problema e consequentemente sempre negou-se a fazer qualquer tratamento. 
O resultado? Terrível para ele e para todos os que com ele convivem.

Créditos das imagens: Pixabay