sexta-feira, 25 de maio de 2018

Para pensar #53



Você pode pensar que o que você gostaria de recuperar da sua juventude é a sua aparência, sua aptidão física, seus prazeres simples, mas o que você realmente precisa é a fluidez da mente que você já possuía.
Robert Greene


terça-feira, 22 de maio de 2018

Triunfo no importante, fracasso no essencial


Ao longo de sua existência, a humanidade tem se superado de maneira positiva em muitos aspectos, como na área de tecnologia, mas infelizmente o que deveria estar em primeiro lugar parece estar no final da lista de prioridades humanas. Me refiro as virtudes e valores que todos conhecemos – ou pelo menos temos ideia do que significam.

Respeito
Decência
Cidadania
Responsabilidade
Educação

Com frequência o que vemos é o descaso com as virtudes e a anomalia de uma estranha e crescente degeneração. A decadência, que no passado era sutil, hoje é intensamente visível.


lupa-e-balanca-de-etica

O contraste

O contraste humano chega a ser surreal. Enquanto os avanços na ciência e na tecnologia são notáveis – e muitos deles realmente importantes e úteis, o fracasso moral e espiritual alcança proporções cada vez maiores e até inimagináveis. Assim como a maior parte da população de 1920 classificaria como delírio a existência futura do telefone e da internet, acredito que também duvidariam de uma época na qual a indecência, a futilidade, a decadência moral e a erotização chegariam aos níveis que vemos hoje. Em relação à ganância e ao egoísmo, acredito que não se surpreenderiam, pois em todas as épocas esses defeitos de caráter estiveram presentes na história da humanidade, de acordo com o conhecimento, a possibilidades e ferramentas disponíveis em cada época.

O problema é que a natureza pecaminosa tem dominado muito mais pessoas do que o máximo suportável para que houvesse o mínimo necessário ao equilíbrio do planeta. O ditado "uma laranja podre estraga todas as laranjas da cesta" resume bem a questão, pois querendo ou não, de forma consciente ou não, todos influenciamos e somos influenciados a maior parte do tempo.


O eu em primeiro lugar

No Brasil isso é muito evidente, começando por aqueles que deveriam gerir da melhor forma possível os recursos públicos e não desviá-los ou utilizá-los de forma descuidada.

Enquanto as palavras ensinam, o exemplo arrasta - o negativo "jeitinho brasileiro" está aí para comprovar, pois contaminou todas a classes sociais, sem exceção.

O culto ao ter, ignorando o ser, demonstra o quanto estamos cada vez mais nos distanciando de nossa essência. De forma curiosa e até paradoxal, enquanto há o distanciamento do essencial, há a priorização do "eu" através da satisfação de desejos e de necessidades desnecessárias.

O "eu" em primeiro lugar também está muito presente na falta de cidadania, educação e responsabilidade. Talvez essa seja a mais grave forma de priorizar o "eu", pois todos sabemos - ou pelo menos temos ideia de - qual é o comportamento adequado para a harmônica convivência em sociedade.

Aprendemos desde cedo a não mentir, a sermos educados, a não destruir a natureza, a respeitar o próximo. Mas o que vemos todos os dias é exatamente o contrário, salvo exceções, que como eu disse anteriormente, são insuficientes para manter um equilíbrio minimamente funcional no planeta.


montanha-de-lixo-e-gramado-pegando-fogo



Sem o equilíbrio necessário, o que vemos?

- Poluição generalizada - atmosférica, sonora, visual, do solo, da água - devido ao excesso de "necessidades" desnecessárias, à ânsia por possuir cada vez mais e à explosão demográfica. Recordo que o psiquiatra Flávio Gikovate disse uma vez em seu programa na Rádio CBN que o versículo bíblico "crescei e multiplicai-vos" não está mais em vigor, pois a Terra já está cheia. Atualmente somos mais de 7 bilhões de pessoas - número catastrófico para a regeneração das áreas exploradas ou degradadas por nós mesmos, humanos.

- Crescente falta de paciência, cordialidade e de educação no trânsito.

- Aumento da violência, que alcançou patamares endêmicos em muitas regiões.

- Músicas com alto volume a qualquer hora do dia ou da noite, perturbando o sossego alheio, que é teoricamente garantido por lei, mas que na prática tornou-se apenas mais um artigo decorativo de uma lei que provavelmente nunca será cumprida.

- Exploração dos recursos naturais de forma ilegal devido a ganância cada vez mais intensa.

- Lucros cada vez maiores da indústria – e consequentemente do sistema governamental – devido à explosão demográfica. A consequência não poderia ser outra além do aumento da poluição de todos os tipos, formando um círculo vicioso de decadência e incredulidade de que um dia a humanidade alternará sua rota rumo ao fundo do poço para o qual está caminhando a passos largos.


O resultado

Vivemos em uma sociedade cada vez mais doente, que está adoecendo cada vez mais também o mundo em que vive.

Lembro ter lido que até aproximadamente o ano de 2010 era previsto que as doenças mais incapacitantes seriam as cardiovasculares e o câncer. Dados atuais mostram que a depressão superou as duas, passando do terceiro para o primeiro lugar na previsão.

Além disso, houve um aumento significativo em casos de ansiedade, síndrome do pânico, gastrite, diabetes, hipotireoidismo, enfim, de muitas doenças relacionadas ao estresse, aos excessos, à alimentação altamente processada, às pressões e à vida em desarmonia e em desequilíbrio da modernidade.


Conclusão

Há algo de muito errado com a humanidade.

Se os triunfos da tecnologia e da ciência vieram para facilitar e melhorar a vida, por que o que vemos cada vez mais é o oposto?

De que adianta termos mais anos de existência, mas perversamente menos vida nesses longos anos?

Enquanto não houver um retorno, mesmo que parcial, aos valores morais e espirituais, seguiremos lentamente rumo a um destino ainda pior.


Encerro o post com dois trechos do vídeo Koyaanisqatsi – Life out of balance, de Philiph Glass, que foi lançado em 1983, ou seja há 35 anos, do qual eu já havia postado um trecho no início do blog.

Na época, escrevi:
"Repare nas fisionomias das pessoas que estão nas ruas e nos carros.
Semblantes felizes? Tristes?  
Vazios? Inexpressivos? 
Ansiosos? Calmos?
Indiferentes? Indecifráveis?

Eu fico pensando:
O que temos feito para que a situação apresentada no filme melhore? 
Ou piore?"

5 anos depois, a primeira pergunta que faço é a mesma: repare nas expressões faciais das pessoas no segundo vídeo. Não se parecem com o que vemos no dia a dia?

O que temos feito para que a situação apresentada no filme melhore? 
Ou piore?

Será que essa é a vida para a qual fomos criados?


Parte 1 - The Pulse (o momento que mais gosto neste vídeo é o que começa em 3:00)



Parte 2 - The Grand Illusion





Créditos das imagens: 
Stuart Miles e Witthaya Phonsawat - Free Digital Photos 

Referências:

Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, diz OMS
Depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas e é doença que mais incapacita pacientes, diz OMS
Depressão é a doença mais incapacitante do mundo
Uma epidemia de depressão

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Para pensar #52


Deus não procura pessoas perfeitas, mas corações disponíveis para aperfeiçoar.
Desconheço o autor



terça-feira, 15 de maio de 2018

Vamos falar um pouco sobre investimentos?


A população brasileira de forma geral não possui o hábito de investir. Enquanto 75% dos norte-americanos investem na Bolsa de Valores, no Brasil esse número é de apenas 1% (segundo dados do vídeo no final do post).

Em fundos imobiliários, a quantidade de investidores é ainda menor: apenas 115 mil! Considerando a população total do país, os números apresentados são muito baixos.

Ao mesmo tempo, a aposentadoria recebida pela maioria é muito ruim, muitas vezes mal dá para pagar as contas básicas, sem contar os medicamentos que são mais frequentes com o passar dos anos. Por isso, a educação financeira é tão importante. 

Se consideramos também os problemas inerentes à previdência oficial, podemos perceber que é fundamental que os investimentos comecem a fazer parte da vida das pessoas o quanto antes, pois os proventos da aposentadoria pública que serão recebidos futuramente estão a cada ano menores, sempre com perdas reais acumuladas. Acredito que todos nós conhecemos alguém que contribuiu há algumas décadas sobre 10 salários mínimos e hoje recebe bem menos que o teto atual de apenas 5 salários mínimos devido as constantes defasagens nas correções.

Por isso, quanto mais cedo for o início dos investimentos, melhor. O poder dos juros compostos é fantástico quando a nosso favor, mas infelizmente isso é ignorado por muitos.


pilhas-crescentes-de-moedas


Para quem é da finasfera, esse post e o vídeo são praticamente mais do mesmo, mas para quem não é, pode fazer toda a diferença.


Sopa de letrinhas

A maioria das pessoas provavelmente conheça produtos de renda fixa, especialmente poupança, fundos bancários e CDB, mas quantos sabem o que significa LCI, LCA, LC, CRI, CRA, COE? Se você não os conhece, veja os links no final do post. 

É relativamente fácil investir em tais produtos através de uma corretora de valores (inclusive CDBs), mas com retornos melhores se comparados aos oferecidos pelos grandes bancos.


Tesouro Direto

Se o seu perfil for mais conservador, além dos produtos citados acima há também o Tesouro Direto, que são basicamente títulos da dívida pública emitidos pelo Governo Federal. Como curiosidade, boa parte dos investimentos de fundos de renda fixa dos grandes bancos é nesse produto.



Aprender antes de começar

Assim como tudo na vida, também não nascemos prontos para os investimentos. Temos muito a aprender e muito a conhecer, já que o mercado é dinâmico. Além disso, é necessário encontrar os tipos de investimentos ideais ao seu perfil (se conservador, moderado ou arrojado) e verificar se o que você escolheu é de uma empresa que apresenta bons resultados e estratégias. Em relação a corretora que intermediará os seus investimentos, também é preciso fazer uma boa escolha, pois em um passado não tão distante, Corval e Tullet proporcionaram muitos aborrecimentos aos seus clientes ao fecharem as portas. O mesmo ocorre agora com os clientes do Banco Neon. Imagine você entrar na página inicial do seu banco e dar de cara com essa imagem. Desesperador, não?


liquidacao-extrajudicial-do-banco-neon


Por isso, prudência é fundamental.

Encerro esse post com um vídeo do Tiago Reis. Espero que esse post e o vídeo despertem em você o interesse pelo tema, caso não tenha o hábito de investir. Há muito material de qualidade na internet (blogs, vídeos, planilhas, etc). Como sugestão, você poderia começar visitando os sites do meu blogroll que abordam esse assunto ou ler os três posts que escrevi, por enquanto, sobre o tema.




Sites recomendados:
Banco Data -  saiba como anda a saúde financeira das instituições financeiras brasileiras de maneira simples e descomplicada.
Valores Reais - explicação bem didática sobre a opções de investimento de renda fixa, inclusive Tesouro Direto. Veja também a categoria Links. É uma excelente compilação do que há de melhor na internet sobre o tema.
Clube dos Poupadores - teste seu perfil de investidor.
Clube dos Poupadores - Ter conta em diversos bancos e corretoras é mais seguro?
Simplicidade e Harmonia - posts sobre Educação Financeira.
Clube do Pai Rico


Obs: esse post tem caráter meramente informativo. A responsabilidade pelos investimentos é única e exclusivamente do leitor.

Créditos das imagensdigitalart - Free Digital Photos Site Banco Neon





sexta-feira, 11 de maio de 2018

Para pensar #51


Às vezes precisamos deixar o que sabemos, para que possamos nos surpreender com o que não sabemos.
Liz Wiseman



terça-feira, 8 de maio de 2018

Sorria!


Todos sabemos que sorrir faz bem. Mas será que estamos sorrindo o necessário para o nosso próprio bem-estar?


Os benefícios do sorriso
Relaxa os músculos do rosto.
Acalma a mente.
Diminui a ansiedade.
Melhora o ânimo quando estamos tristes ou desanimados.
Dilui um pouco o estresse diário quando este ultrapassa os limites saudáveis.


emoticon-sorrindo


Por outro lado, já reparou que um semblante muito sério ou fechado proporciona o efeito contrário?


Em sociedade

No meio social, um sorriso sincero traz bons sentimentos, mesmo se for de alguém desconhecido. Talvez isso ocorra porque o sorriso faz parte de nossa natureza – com maior ou menor intensidade.

Admiro pessoas que com frequência sorriem de forma espontânea. A minha “cota” natural de sorrisos sempre foi pequena, embora percebo que melhorei um pouco ao longo dos anos.

Talvez pessoas otimistas sorriam mais por sentirem-se de bem com a vida de forma mais intensa e frequente, o que não ocorre com os realistas e muito menos com os pessimistas, melancólicos, ansiosos, estressados, deprimidos, etc.


Para quem não gosta de sorrir

Se você for como eu, mas quer melhorar um pouco a baixa quantidade de sorrisos diários, veja algumas dicas para obter os benefícios do sorriso – primeiramente de forma pessoal e depois aos poucos, no âmbito social (família, amigos, trabalho, etc).

1) Assista boas comédias

Há muitos filmes, seriados, desenhos e vídeos na internet que são úteis nesse sentido, com opções para todos os gostos.

Eu tenho um colega que se diverte muito assistindo Chaves. Quase sempre ri como uma criança, mas eu não vejo graça nesse seriado. Para citar alguns que gosto: I love Lucy, Seinfeld, Simon the cat e animações da Pixar.

2) Conviva com animais de estimação

Quem tem cachorros sabe muito bem o quanto eles ficam eufóricos e felizes quando retornamos para casa. Eles “sorriem” e nós retribuímos de forma espontânea e sincera, como nem sempre conseguimos fazer com pessoas.

Nunca convivi com gatos, por isso não posso falar sobre eles, mas pelos relatos de amigos, são boas companhias, apenas não tão eufóricos quanto os cães. Parecem bem mais discretos.

Já reparou como esses momentos com os animais proporcionam alegria e bem estar? Infelizmente muitas vezes estamos no piloto automático, pensando em tantas outras coisas ou com pressa e acabamos não vivendo esses momentos como eles mereceriam ser vividos.


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Conclusão

É comprovado cientificamente que sorrir faz muito bem à saúde. Por isso, acredito que precisamos aprender a utilizar esse valioso recurso que possuímos da melhor forma possível, para melhorar não apenas a nossa vida, mas também a vida das pessoas que convivem conosco, pois ambos os lados serão beneficiados.

Encerro esse post um curto vídeo. Espero que ele te faça sorrir!





Referência: Estudo confirma que rir faz bem à saúde
Créditos das imagenspockygallery e James Barker  - Free Digital Photos

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Para pensar #50


Se você pergunta, sentirá vergonha por um minuto. Se não pergunta, sentirá vergonha por toda a vida.
Provérbio japonês




terça-feira, 1 de maio de 2018

Perdoar a si mesmo: como isso é difícil!


Acredito que a maioria de nós possui alguns eventos passados pelos quais não se perdoa. Alguns deles muitas vezes estão em um passado bem remoto, talvez até na infância, mas mesmo assim nos trazem profundo arrependimento e amargura.


A tirania do "e se..."

Muitas vezes ao relembrarmos desses momentos deixamos nossa mente divagar no que poderia ter acontecido se tivéssemos agido de outra forma. Tal atitude piora ainda mais a situação ao validar nossa sensação de culpa e arrependimento. E para piorar ainda mais, cada vez que pensamos no fato em questão e divagamos pelo "e se...", validamos ainda mais nossa culpa e nos sentimos piores do que antes, pois insistimos nos tempos condicionais que hoje julgamos serem melhores.

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O x da questão

O problema é o hoje.

Temos quase certeza de que hoje faríamos diferente. Mas na época do evento em questão, não éramos quem somos hoje. Não possuíamos a idade, a experiência, o conhecimento, a cosmovisão e a maturidade atuais.

No momento da decisão tomada, fizemos o que acreditávamos ser o melhor naquela situação, de acordo com quem éramos naquele dia e hora, até porque ninguém em sã consciência toma uma decisão que trará resultados ruins.


Por onde começar?

Acredito que o primeiro passo seja aceitação. Aceitar quem você era, que fez o seu melhor, que todos somos imperfeitos e por isso erramos muito.

É importante trabalhar esse raciocínio, para que o outro - de acusação - que está tão forte, vá aos poucos perdendo força. Não é fácil, muito pelo contrário, mas o resultado de não ter mais o peso da culpa rondando a mente vale a pena.

No meio do caminho você vai começar a perceber o quanto estava equivocado ao culpar-se tanto. Mas aos poucos, essa culpa tão massacrante e angustiante irá enfraquecer.

Minha sugestão é começar por um evento mais "fácil", que possa te deixar mais confiante a seguir em frente.


O tempo passa...

Embora quase não percebamos, mudamos muito ao longo dos anos. Mas isso tudo é muito sutil, como a movimentação solar na metade do dia. Só percebemos tais mudanças quando olhamos para trás, principalmente se houver contraste.  Por exemplo: "Hoje eu pratico atividade física e gosto, mas antes eu praticava por obrigação e antes disso sequer me exercitava."

Ninguém acorda um belo dia e diz: "A partir de hoje serei uma pessoa sábia." A sabedoria é construída ao longo do tempo.

Hoje não somos mais quem éramos ontem. Sequer somos quem éramos há 6 horas!

O que fazia sentido no passado pode não fazer mais hoje e vice-versa. Da mesma forma, o sentimento de culpa pode ser amenizado ou até suprimido se tivermos consciência de que fizemos o nosso melhor de acordo com o nosso conhecimento na época.

Não somos perfeitos - muitas vezes erramos enquanto tentávamos acertar, mas nossa ânsia por perfeição distorce e obscurece a realidade, nos levando ao interminável "e se". Por isso, precisamos aprender a aprender como nossos erros para que no futuro não caiamos em erros afins, que nos levarão a novos processos de culpa.


Conclusão

Sem dúvida, todos gostaríamos de acertar sempre. Mas quando isso não ocorre, que sejamos capazes de dizer para nós mesmos de forma consciente e convincente: "Apesar dos resultados alcançados não serem os esperados, eu tenho certeza de que fiz o meu melhor, de acordo com minhas capacidades, conhecimento e possibilidades no momento."

Créditos da imagem: Stuart Miles - Free Digital Photos