terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Comum ou normal?


Por acaso você já parou para pensar no que essas duas palavras significam?
Segundo os dicionários, são sinônimos e muitas vezes são realmente utilizados com o mesmo propósito.
Refletindo um pouco mais, comum parece estar mais relacionado ao trivial, ao corriqueiro, ao que acontece no dia a dia, enquanto normal remete à normalidade, ao esperado.

Exemplos:
- Acidentes de trânsito, discussões, assaltos, falta de cidadania e de limpeza e conservação nas cidades brasileiras são fatos comuns, vemos isso todos os dias, mas não são normais, pois fogem do que era esperado.
- Cães, gatos, bebês e crianças são abandonados ou sofrem maus tratos diariamente. Infelizmente isso é muito comum, mas poderia ser considerado algo dentro da normalidade?
- Obesidade, vícios, manias também são considerados comuns, mas são fatos esperados?
- Corrupção é comum no Brasil, mas por isso poderia ser considerado normal?


Transito-intenso-em-uma-grande-cidade

O ponto em que quero chegar é que quanto mais vemos fatos comuns como se fossem normais, mais insensíveis e acostumados nos tornamos às tragédias diárias (desde que não tenham relação conosco); à desorganização geral dentro e fora de casa; à falta de educação no transporte público e no trânsito; ao excesso de sujeira nas ruas ("é tão normal jogar papel na rua, então vou jogar o meu também”); à violência urbana em geral (“quase todos desta rua já foram assaltados”); às péssimas e indignas condições de educação, transporte e saúde pública (“aqui é assim mesmo, sempre foi assim...”); ao trânsito caótico e cada vez mais extenso, confuso e estressante.
A lista é imensa...

Ao vermos tais fatos como normais começamos inconscientemente a aceitá-los como se o fossem realmente, o que nos torna de certa forma mais acomodados, convencidos e resignados de que “aqui as coisas são assim mesmo, sempre foram e sempre serão”.

Talvez considerar normal fatos que são muito comuns seja um dos motivos do Brasil estar ainda tão atrasado em termos de cidadania, educação e respeito ao próximo, pois o normal sob o prisma da moralidade é bem diferente do normal como geralmente o conhecemos.

Você também percebe essa diferença entre normal e comum?
Se quiser, deixe sua opinião nos comentários abaixo.


 

Até a próxima.


Créditos da imagem: WorldWideStock - Free Digital Photos



2 comentários:

  1. Muita diferença, Rosana. Eu colocaria outra palavrinha para complicar mais as coisas: o que é natural hoje? O que não é?

    Se formos ampliar um pouco a discussão, podemos refletir nesses tempos que tudo é relativo. O relativismo cultural é algo que está abraçando as mentes das pessoas mas que infelizmente começa a considerar natural o que não é.

    Lendo o seu artigo, lembrei que escrevi há alguns anos sobre o tema. Fui até visitar meu textinho para ver se ele ainda está lá rsrs.

    Se quiser visitar, está aqui: http://www.viagemlenta.com/2013/01/a-religiao-mulher-e-o-relativismo.html

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    1. André,

      Gostei do seu comentário, você tem razão.

      Os paradigmas mudam com o passar do tempo. Se até a década de 70, bebês gordinhos eram considerados normais, hoje sabe-se que isso é um perigo.

      Talvez o relativismo não apenas cultural, mas de forma mais abrangente leve as pessoas a aceitarem como normal algo que é apenas comum, mas que não deveria nem ser comum, muito menos normal. Somos sutilmente sufocados pela matrix nesse sentido também, mas quantos realmente percebem?

      Vou ler seu texto, agradeço por ter me enviado o link!

      Abraços,

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