terça-feira, 20 de junho de 2017

Shopping Center


Interior-de-um-Shopping-Center
Nunca gostei de shoppings centers. Como o próprio nome diz, sempre os vi em primeiro lugar como locais de consumo, muitas vezes impulsivos ou compulsivos.

Locais onde o layout, a iluminação, a temperatura, os sons e os perfumes são minuciosamente planejados de forma a proporcionar sensações de bem-estar e tranquilidade, que por sua vez geram um tipo meio difuso, confuso e irreal de confiança e otimismo que induzem muitos ao consumo.

Nunca entendi muito bem o motivo das pessoas gostarem tanto de shoppings centers, ainda mais em pleno século XXI, no qual grande parte das compras são feitas online. Mesmo neste cenário, a quantidade de empreendimentos desse tipo continua a crescer no Brasil.

Porque as outras opções de atividades e passeios aos finais de semana não conseguem atrair muitos dos frequentadores dos shoppings centers? Encontrei uma resposta bem coerente e adequada na crônica Lugar de Passear, de Ivan Ângelo.

Inicialmente ele cita que há aproximadamente 50 anos eram comuns passeios em ruas de compras, galerias e grandes magazines como Mappin e Mesbla. Mas hoje, quem consideraria seguro e um bom programa familiar, passeios por ruas como a 25 de março em São Paulo? Quem em sã consciência levaria seus entes queridos para passear nesses locais, que geralmente são sujos, esburacados, pichados, com construções mal-acabadas, flanelinhas por todos os lados, poluição de todos os tipos, trombadinhas, falta de cidadania e falta de segurança?

Em geral, o shopping center é um ambiente familiar, organizado e seguro que proporciona ao menos momentaneamente a liberdade e a dignidade perdidas de poder sentar-se em um banco para conversar ou tomar um sorvete tranquilamente, de poder caminhar de forma descontraída sem desconfiar do rapaz que vem em sua direção. Nesse ponto faço uma ressalva, pois até os shoppings centers foram atingidos pela violência que assola o país. Precisamos ter cautela em todos os locais que frequentamos, pois não há lugar 100% seguro. Além disso, segundo os especialistas em segurança, pessoas distraídas são alvo fácil. Veja aqui. Mesmo assim, felizmente a incidência de ocorrências desse tipo no interior dos shoppings centers é menor.

Os passeios nesses locais tornaram-se comuns, mas não deveriam ser encarados com tanta normalidade (veja aqui a diferença entre comum e normal), ainda mais se levarmos em conta o clima e as opções de entretenimento naturais e urbanas das cidades brasileiras de médio e grande porte.

É triste ver o nível de degradação e dos problemas cada vez mais crônicos das cidades. Parece até que dentro dos shoppings centers estamos em outro país, no qual cidadania, dignidade, segurança, liberdade, educação e limites não são meras palavras de dicionário úteis apenas para enfeitar discursos em períodos eleitorais nesse país.


Créditos da imagem: cp2studio - Free Digital Photos

12 comentários:

  1. Mais segurança aparente, claro, e isso dá maior conforto e tranquilidade às pessoas que, então, não param para pensar no ambiente altamente poluído - em ruídos, cheiros, falas, cores, anúncios, apelos - que é bastante prejudicial à saúde. Porém, com certeza, o maior objetivo dos Shopping Center é propiciar "melhores consumos" a uma população consumista, não acha?

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    1. Alice,

      Gostei do que você falou sobre ser um ambiente altamente poluído. As pessoas estão tão acostumadas à esse tipo de poluição, que acham que é algo normal, mas não é.
      Você já escreveu algum post sobre esse assunto? Se sim, me envie o link, pois eu gostaria de ler.
      Se não, fica a sugestão.

      Como o próprio nome já diz, eu também acho que o objetivo principal do shopping é levar a pessoa ao consumo - algo que conseguem fazer com maestria.

      Abraços,

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  2. Compartilho do mesmo pensamento, Rosana! Em um grupo de discussão sobre FIIs recentemente surgiu o debate se os shopping centers no Brasil teriam o declínio que está ocorrendo nos USA (lá está diminuindo um pouco) em virtude do crescimento de vendas online.

    A conclusão geral foi exatamente essa: que no Brasil esses locais são, antes de tudo, um local de segurança que a família usa para o lazer. Por isso que ainda tende a crescer por aqui. Além do mais, o nível de saturação dos dois mercados é bem diferente.

    Abraço!

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    1. André,

      Interessante a abordagem do tema shopping center em um grupo sobre FIIs.
      Eu também acho que por aqui, eles terão vida longa, muito longa, não como os shoppings dos primórdios, mas como locais de lazer e também para compras mensais de supermercado, já que grandes hipermercados também estão abrindo lojas em shoppings.

      Eu não sabia que nos EUA está havendo um declínio desses centros comerciais. Para mim, existe um abismo entre o nível de saturação que difere esses 2 mercados (nem tanto culturalmente, mas principalmente por questões e decisões governamentais). Aqui no Brasil a situação é sempre muito inferior em vários aspectos. Infelizmente...

      Abraços,

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  3. Rosana,

    Primeiramente, parabéns pelo blog. Moro na Arábia e aqui os shoppings também sao construídos para atrair as pessoas e fazerem elas gastarem. Felizmente aqui as pessoas tem a opção de sair e andar nas ruas, pois a criminalidade aqui quase inexiste, porem preferem ir para o shopping. Vou fazer um post no meu blog em relação a visita que fiz em um shopping daqui e minhas considerações, da uma passada la. Abraços.

    Um brasileiro na Arábia,
    http://brasileironaarabia.blogspot.com

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    1. Olá, Um Brasileiro na Arábia

      Fiquei pensando no seu comentário: mesmo com a baixa criminalidade, o que leva as pessoas a preferirem o shopping center?
      Será o clima? Ou o costume de passear em shoppings que tem sido passado de geração em geração?

      Gostei do seu blog, já assinei a newsletter.


      Bom domingo!


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    2. Já morei em lugar quente, onde as pessoas iam para o shopping aproveitar o ar-condicionado.

      Abçs!

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    3. Investidor Internacional,

      Já ouvi relatos de que isso tem se tornado cada vez mais frequente, até com lojistas irritados, pois as pessoas só entram nas lojas só para ver e não compram nada, já que o objetivo é passeio e não compras.


      Abraços,

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  4. No Brasil e em vários lugares do mundo, além da insegurança, as ruas são sujas e mal cuidadas. Em média a população é de baixo nível de civilidade o que torna a ida ao shopping muito mais agradável do que o passeio nas ruas.
    Acredito que com o avançar das vendas online os shoppings serão pouco a pouco sendo convertidos para locais onde se oferece mais serviços e menos produtos, mas vai continuar sendo o local preferido para os passeios dos brasileiros.

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    1. Investidor de Risco,

      Infelizmente o nível de civilidade é sem dúvida muito baixo no Brasil, o que contrasta de certa forma com o ambiente de shopping: organização, limpeza e ambiente familiar.

      Acho que você tem razão: com o advento das vendas online, (in)segurança pública crescente e ambientes mal cuidados, os shoppings oferecerão cada vez mais serviços do que produtos - mudança que vagarosamente está ocorrendo.


      Boa semana!

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  5. Olá Rosana,

    Em primeiro lugar queria dizer que é difícil achar uma mulher que não goste de shopping :D

    Corretíssima, shopping no Brasil ainda é sinônimo de segurança e até algum lazer (mesmo não sendo lazer que eu goste pois prefiro correr em um parque, andar de skate e coisas que movimente o corpo ao invés de ficar só comendo em shop) mas é inegável que para compras já é um grande fracasso.

    Eu só compro eletrodomésticos e eletrônicos pela internet então essas lojas de shopping por mim podem falir.

    Agora o cinema... ah, aí não tem como né, os cinemas de shopping são excelentes!

    Boa semana!

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    1. Olá, Buscando Primeiro Milhão

      Agradeço por seu comentário, espero que esteja gostando dos meus posts. Sempre vejo seus comentários em blogs de finanças.

      Você tem razão, a maioria das mulheres gosta muito de shoppings. rsrsrs Eu até tenho um certo interesse por possuir FIIs com esses empreendimentos, mas nada além disso.

      Para mim, lazer também tem muito mais a ver com parques do que com shoppings, mas no quesito segurança os shoppings estão em vantagem.

      Acredito que com o tempo, os shoppings precisarão se reinventar mais de 70%, pois com o aumento das vendas pela internet, não há mais sentido para tantas lojas. Algo interessante que está ocorrendo é a migração de alguns hipermercados para os shoppings, o que é muito bom para o consumidor, pois há a possibilidade de diversão (como você citou, cinemas) e ao mesmo tempo as compras mensais.
      Outra possibilidade seriam escolas (idiomas, academias, laboratórios de exames, enfim, serviços gerais).
      Isso atrairia muitos clientes que não costumam frequentar esses ambientes.


      Boa semana (e fim de semana) à você também!

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