terça-feira, 10 de julho de 2018

Avenida das Ilusões


Desde muito cedo na vida somos ensinados a caminhar pela avenida das ilusões. Talvez coelho da páscoa e papai noel sejam as primeiras grandes e inesquecíveis ilusões.

Quando essa época passa e descobrimos a verdade, inicialmente ficamos tristes, mas com o passar do tempo, muitos acabam perpetuando essas ilusões para as novas gerações.

Mais tarde e de forma mais intensa, vem a ilusão do consumo: automóvel, celular, artigos de coleção, os mais variados produtos de beleza, joias, esportes radicais, vícios, etc. Tudo o que proporcione alguma satisfação momentânea, que mais cedo ou mais tarde, vai passar.

Acreditamos que precisamos dessas coisas ou experiências para dar sentido à vida. Assim como na propaganda de margarina, muitas vezes compramos objetos pensando mais na felicidade passageira e admiração alheia que eles podem nos proporcionar do que em sua utilidade real. Assim como aprendemos na infância, a história se repete.

Todos gostamos de tomar banhos quentes no inverno, mas nunca vi ninguém muito feliz por ter comprado um chuveiro, mesmo sendo um objeto tão útil e fundamental. Talvez por não ser algo considerado apto à admiração alheia. Há muitos exemplos como esse em nossas casas e vidas.


Assim caminha a humanidade

E dessa forma vamos passando pela vida...

Para muitos, chega um momento no qual a ânsia por satisfação e consumo caminham tão juntos, que a consciência parece até estar adormecida.


sacolas-cheias-de-compras


Precisamos consumir

Para nosso bem estar e conforto, o consumo é necessário. O problema é quando os objetos tomam o lugar das pessoas. Parece até que a afeição da infância por um cobertor, ursinho de pelúcia ou carrinho se repete na vida adulta com outros objetos, com “brinquedos” como carros, celulares, miniaturas, coleções, etc

Será que essa afeição e atenção aos objetos não poderiam ser direcionadas para as pessoas ou animais que amamos? Ou então para nós mesmos, na busca por nossa verdadeira essência?

Por que precisamos de tantos estímulos exteriores ao mesmo tempo em que fugimos de momentos de solitude e silêncio?

Provavelmente com razoável conhecimento interior e sabedoria, pouco interesse haveria em passeios pela avenida das ilusões, pois isso não faria mais sentido.


Conclusão

Passamos muito de nossa vida caminhando pelas ruas e avenidas da ilusão. Não que isso seja errado, pois cada um escolhe o que acredita ser o melhor para si mesmo, de forma que as opções são variadas, sem respostas prontas.

A questão é que quanto mais tempo passearmos pelas avenidas da ilusão, menos tempo e ânimo restam para irmos ao encontro de nossa verdadeira essência e propósito. E se esse encontro realmente acontecer, a avenida das ilusões estará mais no passado do que no presente, pois se outrora foi de certa forma útil para encontrarmos alguma afinidade ou talento, ela não possui mais serventia quando o autoconhecimento faz parte de nossa vida.


mulher-caminhando-por-uma-estrada



Créditos das imagens: Pixabay

17 comentários:

  1. Eu já tenho uma visão um pouco diferente.
    O consumismo existe, embora tenha muitas pesoas que não são consumistas até por falta de poder aquisitivo.

    Mas a a raíz dessas ilusões na minha opinião não e o consumismo. Consumismo no máximo é uma válvula de escape, uma ferramente de exposição social ou um vício mesmo.

    O que realmente é raíz nessas situações é a vaidade humana e o ego, coisa que todos nós temos, só que não devemos deixar que tome conta de nós. O desejo de aparecer, de se mostrar feliz e realizado, de ser valorizado pelos outros, de mostrar poder, liderança, beleza entre outras coisas é que geralmente faz com que nos afundemos em algumas ilusões.
    E isso afeta as relações humanas também. É muito comum as pessoas entrarem em relações e criarem vinculos de amizade até que suas opiniões sejam rebatidas. E hoje também são poucos os que conseguem ouvir um Não bem dado sem se melindrarem.
    Nos relacionamentos amorosos muitos procuram apenas relacionamentos sexuais, sem ter que arcar com o ônus da convivência, uma espécie de self service sexual. mas pra isso há que se investir na aparência e na imagem.

    A questão é ammpla.

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    1. É um bom argumento. Consumismo é uma consequência. E, permita-me completar, uma consequência da vergonha a que seremos expostos (no entendimento da maioria) se não seguirmos determinados atos ou não possuirmos determinadas coisas.

      A propaganda tem uma importância fenomenal nisso. "Se você atingiu o sucesso, vc precisa estar a bordo do carro XPTO4". "Para pessoas de bom gosto como você, é imprescindível possuir um celular assim e assado"... E assim, o consumismo toma mais fôlego.

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    2. Sim a propaganda tem participação nisso. Mas veja a propaganda está aí pra isso mesmo, valorizar um produto ou serviço.
      Se você não se sentisse mal em relação as pessoas que você conhece por não ter determinado bem ou mesmo por não fazer determinadas coisas, a propaganda não teria tanto efeito.

      O que pesa muito mesmo é a questão: O que vão pensar de mim?
      O que vão pensar de mim se não tiver muitos amigos?
      O que vão pensar de mim se não crescer no meu emprego?
      O que vão pensar de mim se não fizer viagens interessantes?
      O que vão pensar de mim se passar fins de semana em casa?
      O que vão pensar de mim se não parecer bem sucedido em algo que me propus a fazer?

      Você conhece alguém que começou a beber ou fumar por conta própria, sem influência de ninguém. Quem começa a fumar ou beber geralmente o faz por conta dos "amigos" (pode ser com ou sem aspas dependendo do amigo), é assim com a grande maioria das pessoas.

      Isso tudo aí em muitos momentos tira nossa liberdade e nos força a ser, ter ou fazer coisas das quais não temos real necessidade.

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    3. Anônimo e André,

      Gostei demais dos comentários de vocês, pois enriqueceram muito o tema.

      Ego... ele é a base de tudo o que vemos por aí, sendo o status é uma de suas faces mais crueis.

      O exemplo do cigarro é um dos mais claros para mostrar o poder da influência que as pessoas acabam tendo sobre nós. Se nas décadas passadas fumar era status, hoje é exatamente o contrário, mas quando o vício faz parte da vida da pessoa, parece que é difícil largar, mesmo sabendo que faz muito mal à saúde de todos e não apenas do fumnate.

      A área do cérebro relacionada á recompensa, que poderia ser utilizada de forma mais proveitosa e útil é muito usada com coisas fúteis ou banais demais se consideramos a grandiosidade e o objetivo da vida. Resumir bem-estar ao fato de possuir o carro XPTO4 (gostei do nome, André! rsrsrs) ou o celular Graham Bell 2025 parece-me algo tão pequeno, tão artificial, tão manipulado pela indústria e suas "necessidades"!

      Anônimo,
      Gostei dos questionamentos que apontou.

      Quanto mais preocupados estivermos com o que as pessoas vão pensar da gente, mais nos distanciamos da nossa própria essência, do que é realmente importante para nós.

      Sua última frase resume bem o tema. Até quando deixaremos que nossa liberdade seja tirada desse jeito?


      Acredito que na época em que vivemos o autoconhecimento é fundamental para não cairmos nos apelos por status - que nos final não nos levará à lugar nenhum.

      Penso que pessoas que deixaram um bom legado para a humanidade não são aquelas que passaram a vida a bordo do carro XPTO4, que fizeram muitas viagens para lugares paradisíacos, que foram muito populares nas redes sociais exibindo 1 milhão de "amigos". Mas sim, aquelas que deixaram valores adequados e que, apesar da situação mundial, possuem uma visão de um futuro melhor. Pessoas que sabem diferenciar o que é importante do que é apenas material (mesmo que seja o carro XPTO4). Não é por acaso que Warren Buffet é tão admirado.

      Boa semana!

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  2. Ótima postagem. Precisamos valorizar as pessoas e não as coisas, que Deus nos dê sabedoria sempre. Bjs

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    1. Lucinalva,

      Penso como você.
      Bom saber que gostou do meu post. :)

      Boa semana!

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  3. Rosana, de fato, a discussão sobre esses valores é super importante!

    Apesar de ter comentado acima sobre o consumismo, quando iniciei o texto e vi suas palavras sobre crença de coelhinho da Páscoa e Papai Noel, ri de forma amarga e não consegui me desvencilhar do que ocorreu nesse Domingo.

    As pessoas ainda acreditam, além do consumismo, no presidiário inocente condenado em várias instâncias, na promoção da bagunça institucional e na aposta do "quanto pior, melhor", etc...

    Olha, eu ainda prefiro o pensamento consumista do que o pensamento comunista. Que país é esse? Até quando vamos acreditar em todas essas ilusões? O passado já não mostra que eles estão errados?...

    Desculpa o desabafo...

    Abraços!

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    1. André,

      Olhando por esse lado, mil vezes o consumismo, também não tenho dúvidas.
      É como o post do professor que nunca havia reprovado um só aluno. Será que vale a pena viver em uma sociedade que parou no tempo por falta de desafios? https://simplicidadeeharmonia.blogspot.com/2014/04/o-professor-que-nunca-havia-reprovado.html

      Para que haja crescimento e desenvolvimento, os desafios são fundamentais. A natureza mostra isso de maneira muito clara. Plante 2 árvores da mesma espécie, uma onde há muito vento e a outra onde o vento é bem suave.
      No momento da tempestade, qual delas continuará em pé?
      Para termos boas e profundas raízes, para que nossa mente seja utilizada de forma adequada, precisamos de desafios. Sem eles, acho que a humanidade ainda estaria utilizando fogão à lenha.

      Como você disse, é tudo tão óbvio, mas os interesses pessoais predominam. Infelizmente não é um país sério. Não é à toa que, quem pode está saindo do Brasil....

      Boa semana!

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  4. Excelente texto, Rosana!

    A ilusão da busca da felicidade em bens materiais desvirtuou a nossa sociedade, que exibe ostentação, ganância e vaidade.

    Resgatar os valores essenciais que nos definem enquanto humanos é fundamental para tentar melhorar o padrão de vida e de visão que vemos por aí.

    Abraços!

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    1. Guilherme,

      Infelizmente a busca da felicidade em coisas erradas trará mais frustração do que outros resultados em longo prazo... Por isso, precisamos andar no sentido inverso, resgatando os valores essenciais como você disse.

      Bom saber que gostou do meu texto! :)

      Abraços!

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  5. Boa noite, querida!
    É tempo de rever valores verdadeiros!
    Muito bom seu post para alertar nossa mente que se esquece da real e verdadeira felicidade de se estar vivo!
    Tenha dias abençoados e felizes!
    Bjm fraterno de paz e bem

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    1. Roselia,

      "A real e verdadeira felicidade de se estar vivo!" - é isso o que mais precisamos.
      Por isso, precisamos ter sabedoria para buscarmos a felicidade onde realmente podemos encontrá-la.

      Bom saber que meu post te ajudou de alguma forma!

      Abraços,

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  6. Bom dia Simplicidade!
    Um texto oportuno e reflexivo, á a vaidade em evidência para muitos, valorização do superflúo que não nos leva à nada, muitos precisam rever conceitos!
    Grata pela visita ao meu blog!

    Bom e abençoado dia , desejo a vc!

    Bjss!

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    1. Diná,

      Precisamos mesmo rever nossos conceitos - você disse tudo.

      Um bom final de semana!

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  7. Oi Simplicidade,

    Gosto dos seus textos, sempre trazendo momentos de reflexão. Esta frase em especial me chamou atenção:

    "Por que precisamos de tantos estímulos exteriores ao mesmo tempo em que fugimos de momentos de solitude e silêncio?"

    Engraçado que somos movidos por desejos, faz parte da vida, e em muitos momentos estes desejos são materiais. Quando alcançamos o que tanto desejamos, em um primeiro momento vem aquela alegria, aquela satisfação, e depois surge a apatia, o tédio, o enjoamento.

    Acho também que é um ciclo natural, é isto que move os seres vivos, se não tivesse este sentimento do "não querer mais" a vida pararia. Não adianta lutar contra isto, faz parte da nossa essência.

    Mas por outro lado, este minuto de silêncio, este "encontrar consigo mesmo", é algo que não praticamos com regularidade mas é de fato saudável. Acho que falta olhar para dentro, na maior parte estamos olhando para fora. E também é importante olhar para trás, na maior parte dos momentos estamos olhando para frente.

    Sempre que alcanço algo que desejei muito, procuro voltar no tempo e lembrar de quando não tinha aquilo, isto sim nos fará valorizar o que temos, seja material ou imaterial.

    Abraço
    Uó!

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    1. Uó,

      Interessante o que falou, sobre pensar no passado e lembrar-se de algo que queria muito, para que tal objetivo alcançado seja mais valorizado. Não é algo fácil, pois a mídia e a sociedade em geral, o tempo todo nos induzem ao consumo.

      Como disse Schopenhauer, vivemos entre a ânsia de ter e o tédio de possuir. A sua ideia parece suprimir um pouco esse tédio através da valorização do que já possui.

      Acho que precisamos de pouco para viver bem e satisfeitos. O crescimento/desenvolvimento pessoal é importante, já o acumulo de bens, não. Talvez se nos conhecêssemos melhor, teríamos quem sabe 1/2 ou 1/4 do que possuímos.

      Bom saber que gosta dos meus textos. :)

      Um bom final de semana!

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  8. o consumismo desenfreado por ser visto como o esquecimento sobre o essencial na vida.

    Sobre o "Essencialismo - A Disciplinada Busca Por Menos (2015)", Greg Mckeown diz:

    "Você precisa revisar toda a sua vida, desde o início, pensar no legado dos seus avós, dos seus pais. Do dia em que nasceu até hoje, quando a vida foi boa? Quando a vida foi ruim? Quais são os seus objetivos a longo prazo? Como você quer que os seus netos se lembrem de você?

    Pensar com uma perspectiva longa, tanto na direção do passado quanto do futuro, é o segredo para perceber o que é essencial. Esse distanciamento do olhar é o que está por trás do pensamento do essencialista. Quem não tem essa mentalidade está apenas reagindo ao próximo email que recebe, está apenas respondendo à agenda das outras pessoas."

    abs!

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