Síndrome do excesso de informação – artigo de 2001

Não me lembro ao certo quando li o artigo Mal do século – síndrome do excesso de informação de Gilberto Dimenstein. Só sei que faz mais de 15 anos.

Na época, o texto me deixou desconfortável sobre o rumo da humanidade em relação ao excesso de informações. 

E, nesse sentido, o aumento de dados e informações foi e continuará sendo bem significativo.


Números dignos de nota

O artigo informa que  há 100 anos (em 1901) havia, cerca de 200 revistas científicas. E que em 2001, eram mais de 100 mil.

Informa também que até o início dos anos 90 haviam menos de 10 canais da televisão brasileira, mas que em 2001, esse número ultrapassava 100 emissoras.

Informa também que a cada ano (considerando o ano da publicação do artigo, em 2001) era produzido 1,5 bilhão de informações. Essas informações eram impressas, armazenadas em filmes ou arquivos magnéticos. Isso daria uma média de 250 megabytes por pessoa do planeta.


Como as coisas mudaram!

Com tantos canais pagos, vídeos na internet, plataformas de streaming, os canais da TV aberta não são mais os preferidos da maioria das pessoas.

Sobre os 250 MB por ano por pessoa, você consegue imaginar isso?

Hoje, um vídeo de 15 minutos pode ter tamanho superior a esse!

E-mails têm espaço ilimitado, mas na época, se não me engano, o Hotmail (sim, ele já existia) tinha um espaço gratuito de 2 megabytes.

Essas comparações mostram bem o crescimento gigantesco da tecnologia nos últimos 25 anos.

Curiosamente, o texto não fala sobre os telefones celulares, que já existiam.

Pessoas comuns da época não conseguiriam ainda imaginar que algo como o smartphone se transformaria em algo tão comum e até indispensável na sociedade do futuro.


Doía mais não saber o bastante

Como a internet estava começando, muitas pessoas queriam ver tudo, saber de tudo, consumir toda a informação disponível.

Muitos se sentiam desconfortáveis por não conseguirem assimilar tantas informações quanto gostariam.

O texto diz que a sensação era como se o mundo girasse com uma rotação mais rápida do que as pessoas.

E apesar de não haverem estudos na época que correlacionassem a internet aos sintomas apresentados, sentimentos de inadequação, ansiedade, angústia e somatização já faziam parte da vida de muitos internautas. Essas pessoas acreditavam que o mais importante era consumir o máximo possível de informações - em outras palavras, visitar a maior quantidade possível de sites.


Há alguma diferença para os dias atuais?

Tirando os dados que citei, pois se tornaram obsoletos, o artigo em si não parece ter sido publicado na semana de 03/09/2001.

Pessoas buscando informações.

Pessoas pagando por informações – informações em tempo real ou não.

Pessoas sobrecarregando seus cérebros com coisas irrelevantes ou que não têm nenhuma importância para elas.

Pessoas cada vez mais ansiosas, estressadas, deprimidas por não serem tão “perfeitas” como o Youtuber de sucesso de hoje ou o galã da novela das 8 dos anos 2000.

Pessoas curiosas para ver a quantidade de visualizações e curtidas de seu novo vídeo. 

Pessoas curiosas para ver mais uma figurinha fofinha de bom dia, boa tarde ou boa noite.


Aprenda a ignorar o que não te interessa

O que eu vou dizer pode parecer radical para você.

No meu celular, são poucos os contatos que deixo habilitados para o carregamento automático de imagens e vídeos.

Eu gastaria muito tempo para ver um monte de coisas que não me interessam ou que não têm nenhuma utilidade prática para mim.

Após tanto tempo perdido vendo tantas coisas do tipo, aprendi a ser mais seletiva.

Tenho consciência de que essas mensagens são enviadas com o objetivo de agradar o outro, mas é impossível ver tudo sem prejudicar outras atividades mais importantes. E também o cérebro com todas essas fofuras que gastam processamento.



Dizer “não” para uma coisa é dizer “sim” para outra

O excesso de informações só vai aumentar

Esteja preparado para isso.

Não perca seu precioso tempo com informações interessantes, mas que não são importantes ou relevantes para você.

É excelente ser uma pessoa culta, mas com a quantidade interminável de informações atuais, melhor do que ser culto é ser sábio e dar o devido valor ao tempo e um descanso à mente.


Voltando ao século XVII

Deixei um dado importante do artigo para o final.

Uma edição de um jornal como o The New York Times do ano de 2001 contém mais informações do que uma pessoa comum da Inglaterra do século XVII receberia durante toda a sua vida.

Você consegue imaginar isso?

Consegue imaginar como seria você ter apenas uma edição volumosa de um jornal para ler durante toda a vida?

Por mais que eu tente, não consigo imaginar.

A grande verdade é que o mundo mudou muito do século XVII até hoje. Na realidade, mudou muito também desde o início dos anos 2.000 para cá.

Os pontos positivos e a facilidade do avanço tecnológico são inquestionáveis.

Porém, será que o cérebro está mesmo preparado para tudo isso?

Ou será que a ciência é ainda tão incipiente que ainda não consegue detectar as sutis, porém importantes alterações que ocorrem em cérebros sobrecarregados que acumulam excessos de dados durante décadas e décadas?

Qual será o estado desses cérebros após 30, 50, 70 anos de uso tão intenso?

O quanto de radicais livres não são gerados por causa de pensamentos desnecessários originados por informações também desnecessárias?

Será que tudo isso está realmente valendo a pena?


Créditos da imagem: Pixabay




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