A interminável lista de coisas que você acha que precisa melhorar ou terminar

Listas.... 

O que era para ser algo bom, fonte de realização, muitas vezes acaba se tornando fonte de decepção e frustração.

Escritas ou guardadas apenas na mente, a utilidade das listas é inegável. E seu propósito também: a vontade de fazer algo melhor, de crescer como pessoa e como profissional, enfim, os objetivos enumerados nas listas são nobres.

O problema é que muitas vezes a motivação inicial logo é substituída pela procrastinação. E nesse estágio, é bem provável que os nobres objetivos não se tornem realidade.

Veja alguns exemplos clássicos:

- Exercícios físico: de 3 vezes por semana, logo se reduzem a 2 vezes, depois a uma quantidade menor de horas e não muito tempo depois, a nada. Nesse caso, a teoria que diz que mais valor é dado ao que é pago não é tão verdadeira, pois muitas pessoas pagam as mensalidades de uma academia, mas quase não a frequentam.

- Reeducação alimentar: com tantos produtos apetitosos, a tarefa realmente não é fácil, mas evitar certos corredores do supermercado pode ser considerado um grande passo. E começar a ter consciência sobre ser você o maior responsável por sua saúde pode ampliar a visão sobre essa questão.

Objetivos como esses são saudáveis, proporcionam a sensação de capacidade e de realização. Precisamos deles.


Insatisfação

Querer melhorar, querer deixar tudo certo e organizado, sem dúvida são qualidades excelentes, mas nem sempre – ou quase nunca – é possível que o nível esperado seja alcançado em tudo o que consta na lista.

Nesse momento, uma lista que foi inicialmente projetada com boas intenções, acaba transformando-se em uma lista acusadora e punitiva. Tal lista, além de desmotivar, acaba colocando em dúvida a própria capacidade pessoal, até porque sempre há alguém que conseguiu fazer com maestria o que você não conseguiu. Geralmente tal raciocínio acaba por aí, porém ignora-se - talvez propositalmente – o esforço e tempo que a outra pessoa utilizou para alcançar tal nível.


O seu melhor hoje não te deixou satisfeito?

Por mais estranho que possa parecer, isso é bom, pois você sabe que há muito o que melhorar. Pior seria você acreditar que algo ficou excepcional quando na realidade ficou na média – ou até abaixo dela. O que esperar de uma pessoa que não enxerga os próprios erros, que se fechou para novos aprendizados?



Objetivos que não fazem mais sentido

Como diz o ditado, “ninguém pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”, pois a pessoa não será mais a mesma e tampouco o rio.

Há um lado da impermanência da vida que nos incomoda. 

Você pode até recolocar certos objetivos na lista ano após ano, mas no fundo, sabe que não serão realizados ou terminados, pois não fazem mais sentido para você.

E mesmo que os realize ou que os finalize como imaginou um dia no passado, a satisfação não será tão intensa como seria se isso tivesse ocorrido no momento que considerava como o ideal.

Pense comigo: não seria melhor usar sua energia, tempo e recursos com os objetivos atuais, com aqueles que resultarão em uma grande satisfação em vez de tentar zerar sua lista do passado – que por algum motivo resolveu carregar até hoje?

Um ou outro objetivo do passado ainda fazem sentido no presente, mas a grande maioria, não.

Alguns exemplos:

- Ler um livro que comprou há anos, mas que não faz mais parte dos seus interesses.

- Comprar um jogo de tabuleiro do qual gostava muito. Há muitos aplicativos que simulam esses jogos. Aliás, após jogar algumas vezes, é bem provável que perceba que foi melhor mesmo não ter comprado.

- Terminar de elaborar uma planilha que não tem mais utilidade para você – exceto se for para aprender novas ferramentas ou praticar o que já aprendeu.

- Organizar objetos ou coleções que na verdade você não quer mais. Um dia, no passado, esses eram momentos de tanta alegria! Mas, e hoje, será que ainda são?

- Terminar de consertar algo que não será mais utilizado – exceto se for para doar, pois melhor doar uma roupa costurada ou uma ferramenta em condições de uso.

- Terminar um curso gratuito que não tem nada a ver com você e do qual não está gostando, mas que iniciou por influência de outra pessoa ou por uma empolgação momentânea.


A impermanência na vida e nas listas

As listas de objetivos são boas e muito úteis, porém muitas vezes podem transformar-se em fontes de insatisfação e de frustração. 

Considerando que o tempo é um recurso precioso e não retornável, procure colocar em sua lista apenas o que considera importante no momento atual, objetivos que realmente fazem sentido para você.

Evite carregar por tempo indeterminado os objetivos não importantes do passado, objetivos que não fazem mais sentido, pois eles podem acabar ocupando um espaço significativo do presente, prejudicando a atenção ao que realmente importa agora.

Assim como a vida é impermanente, os objetivos, os sonhos e as listas também são.


Créditos das imagem: Pixabay


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