terça-feira, 9 de outubro de 2018

Enquanto ainda há tempo - o post mais difícil de ser escrito


Esse post foi inspirado no poema "Dia de Cão", do blog Momentos e Inspirações.

As palavras do Toninho me tocaram profundamente, talvez por eu sentir um pouco de culpa sobre o assunto.


"Vejo, que hoje estarei esquecido.
Todos eles plugados na internet,
A bolinha inerte no canto da sala,
Parece dizer, hoje não é dia de cão."
Toninho

O tempo passa muito rápido, mas não nos damos conta disso no dia-a-dia. Parece que vivemos a maior parte da vida de forma automatizada - exceto em momentos de eventos específicos agradáveis ou não como aniversários, festas diversas, problemas de saúde e funerais.

Geralmente estamos muito ocupados! O excesso de atividades, compromissos, obrigações, trânsito e conectividade nos esgota, nos deixa cansados, estressados, frustrados. Essa não é a vida que planejamos ou almejamos, muito pelo contrário.

cachorro-com-bolinha-aguardando-alguem-para-brincar

E ao chegarmos em casa, lá estão eles - nossos amigos de quatro patas nos esperando.

Nos recebem sempre com muito entusiamo, exceto se não estiverem bem. Entusiasmo que muitas vezes não é correspondido, pois a frustração, o cansaço e o estresse diários tiram de nós até o ânimo para correspondermos à altura - ou um pouco ao menos.

Alguns cães não se contentam com tanta frieza e insistem. Perda de tempo: provavelmente levarão uma bronca e de cabeça baixa irão para o seu cantinho.

A maioria deles percebe o deplorável estado de ânimo do tutor e nem tenta nada. Sabem que é mais um dia no qual não receberão o carinho tão esperado. São sempre experts em detectar nosso estado de humor - se estamos felizes, tristes, preocupados, tensos, etc.


Nos esquecemos...

Quase sempre não nos lembramos de que o tempo deles não é como o nossoHoje eles estão aqui. Daqui a pouco não estarão mais. 10, 15 anos passam tão rápido!

Além disso, a noção de passagem do tempo para eles é bem diferente da nossa. Uma hora fora de casa já é motivo para saudades, felicidade e festejos intensos. Imagine então 12, 16 horas longe de quem eles mais amam... 

Os meus mais novos já estão com 7 anos. Não parece que faz tanto tempo assim que nasceram, parece bem menos, uns 2 ou 3 anos talvez.  

O mais velho está com 13 anos, mas parece que faz uns 5 - no máximo - que o resgatamos da rua. Estava com múltiplas fraturas, sem movimento em uma das pernas. Apenas 2 meses de vida e já havia passado por tanto sofrimento! Ao voltarmos do veterinário nesse mesmo dia, lembro exatamente o cantinho que ele escolheu para deitar-se. Isso ocorreu em 30/12/2005. Mas não parece que faz tanto tempo.

No final das contas, parece que para nós, a noção de passagem do tempo também vai mudando ao longo da vida...


Conviver com cães: um privilégio

Considero um privilégio ter nascido com cães em casa. Foram 18 até hoje - 5 no momento.

Alguns eu vi nascer, ajudei nos partos, nos cuidados nos meses iniciais. Foram momentos inesquecíveis, maravilhosos! É uma fase na qual começam a descobrir o mundo. As brincadeiras de filhotes, o hálito de leite, as mordidinhas suaves dos filhotes - são lembranças que me fazem sorrir.

A maioria eu vi morrer. A alegria inicial do nascimento foi lentamente sendo tragada pela morte que um dia inevitavelmente chegou. Não consigo ver as fotos e videos de muitos deles com aquela saudade agradável e singela que muitos conseguem. Vejo com tristeza e com lágrimas. Algumas fotos eu até evito ver. Sempre penso que poderia ter feito mais, passado mais tempo com eles. Como eu disse no post Perdoar a si mesmo: como isso é difícil!, quantas vezes deixei de fazer o meu melhor.... Inevitavelmente nesses casos, a culpa machuca, corrói, mas pelo menos serve de lição para que eu não cometa os mesmos erros novamente - ou pelo menos tente não cometê-los. Quem vê de fora, até os mais próximos, acham que eu fiz o meu melhor, mas eu não consigo ver dessa forma. Para mim, embora sempre tenha sido muito dedicada no cuidado e em passar tempo com eles, eu poderia ter feito melhor. Algumas vezes a mente e a consciência humanas são muito complexas e acusadoras...

Minha relação com os cães sempre foi muito próxima e intensa. Sempre há um que quer mais atenção, um que fica mais quieto, um que é mais ciumento - algumas vezes é difícil manter o equilíbrio nesses casos, mas nada que uma repreensão verbal mais forte não resolva. Ou mudar o foco, distraindo-os com algo interessante.

E sempre há um que nos "adota" como dono. Com esse, sem dúvida, a conexão e afinidade são maiores.

Gosto das diversas personalidades, das maneiras de agir e interesses diversos. Há os que latem, os que uivam, os que não gostam de comer pela manhã, os que dormem muito, os mais animados, os mais calmos, os que comem demais, os que gostam de água, os que fogem da água...

Atualmente tenho dois que parecem patos - os de 7 anos. Sempre gostaram muito de água! Para mim foi uma novidade, pois todos os outros com os quais convivi sempre fugiam da água - sem exceção.

Exceto a fêmea que é bem tranquila, os quatro machos gostam muito de brinquedos - bolinhas de tênis são as preferidas de todos.


Voltando ao início

Aqui eu gostaria de voltar ao poema inicial. Enquanto muitas vezes estamos cansados ou ocupados com futilidades na internet, na televisão, etc, o tempo vai passando de forma silenciosa, irremediável e implacável. E a vida dos nossos amados animaizinhos de estimação também.

E um dia, não muito distante, a bolinha estará inerte no canto da sala. Não por que estamos ocupados demais, mas por que nosso grande amigo de quatro patas não estará mais lá para com ela brincar...


bola-de-tenis-em-um-campo


O post mais difícil de ser escrito...

Durante todos os anos do blog, esse sem dúvida foi o post mais difícil de ser escrito... 

Espero que ele te proporcione boas reflexões. Mesmo que você não tenha animais de estimação, que meu post te leve a pensar nos relacionamentos interpessoais - pois assim como a vida dos cães passa muito depressa, a vida de muitas pessoas é ceifada muito antes do que é considerado normal, devido a acidentes e doenças.

Que estejamos mais presentes - presentes de verdade - durante os momentos de convivência com aqueles que realmente são importantes para nós, sejam pessoas ou animais.

cachorro-brincando-com-bolinha-de-tenis


Uma singela homenagem

Gostaria de terminar esse post com uma homenagem para todos os animais de estimação que fazem parte ou que passaram pela vida de todos os leitores do Simplicidade e Harmonia.

Nosso elo com o paraíso 
(Postado originalmente em 4 de abril de 2017)

Ah, os cães! 
Só quem os tem ao seu lado sabe como são criaturas especiais, tão importantes auxiliadores para a harmonia e o equilíbrio diários. 
Eles nos dão muito, muito mais do que merecemos e não pedem absolutamente nada em troca.
Temos muito, muito mesmo a aprender com eles.


"Os cães são nosso elo com o paraíso. 
Eles não sabem o que é maldade, inveja ou insatisfação. 
Sentar-se numa colina ao lado de um cão numa tarde maravilhosa, é estar de volta ao Éden, onde não fazer nada não era tédio - era paz."
Milan Kundera


Créditos das imagens: Pixabay




14 comentários:

  1. Conviver com nossos amiguinhos de 4 patas nos acrescenta maravilhas ,mas tenho ainda muitas saudades dos que passaram em nossas vidas! Pena! São inesquecíveis! Lindo e emocionante texto! beijos, chica

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    1. Rejane,

      São inesquecíveis mesmo! Além disso, nos ensinam grandes lições.

      Bom saber que gostou do meu post. :)

      Um bom final de semana!

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  2. Bom dia com paz!
    Muito me emocionei pois há tive animais quando filhos solteiros... sei bem de tudo que escreveu com dificuldade pois também tive dificuldade para ler até o fim pela emoção que senti ao faze-lo.
    meu último cãozinho morreu há 15 anos e jamais me esquecerei daquele dia...
    daí para cá, não tive mais, entretanto a filha prosseguiu na adoção de animais e netinhos adoram cuidar...
    eu sou a avó deles que, quando os visito, fazem a maior festa... são mais humanos que nós, muitas vezes.
    Feliz quem ama os animais!
    Lembro bem desta postagem que Chica promoveu e o amigo participou muito bem .
    Deus o abençoe muito!
    Abraços fraternos de paz e bem

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    1. Boa noite, querida!
      Venho reler e vi que tem falhas de digitação por estar no celular. Desculpe-me, sim?
      Deus a abençoe muito!
      Bjm carinhoso e fraterno

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    2. Roselia,

      Que lindo comentário! Gostei das suas palavras, você já teve cães, entende bem o que eu quis dizer. Bom saber que sua filha continua com o gesto tão bonito de adotar animais, pois existem tantos precisando de um lar! Melhor ainda pelos seus netinhos continuarem com esse amável gesto com tanto gosto.

      Parabéns pelo legado e pelo exemplo que passou a eles.

      Não precisava se desculpas pelas falhas de digitação, isso acontece. Além disso, mais importante foi a mensagem que quis passar.

      Um bom final de semana!

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  3. Sempre tive uma relação muito especial com os cães desde pequeno. Não tinha muitos amigos, e passei muitos dias da minha infância com os meus.
    Hoje em dia sinto que consigo entendê-los completamente, e vejo-os com os mesmo olhos que eles olham para mim. Sinto suas dores e diferente da maioria, sei que são almas que precisam de cuidados como se fossem pessoas como nós. Me dói no coração ver tantos jogados na rua, para mim são como se fossem crianças abandonadas, pois é isso que são, crianças a espera de amor e atenção. Tento fazer o máximo que posso para ajudar. Moro no interior e quando vou para capital vejo tantos pela rua, o que torna a viagem amarga muitas vezes. Para mim é como se fosse tentar segurar agua com a peneira às vezes, pois são tantos. Aos poucos essa realidade está mudando, mas ainda tem muito caminho pela frente para as pessoas entenderem que animais não são objetos. Queria que todos pudessem ver os cães com os meus olhos, que todos entendessem que somos responsáveis por eles, e que eles precisam da nossa atenção e ajuda, e tem necessidades como as nossas.
    Todo dia a caminho do trabalho, vejo um pit bull amarrado a uma casinha em uma corda pequena. Seu olhar é de uma tristeza tão grande, que corta meu coração. Na hora me vem à cena de “Quatro vidas de um cachorro”, em que o cão passa a sua vida amarrada em uma corrente, chorei muito nesta cena, não sei se você já assistiu o filme, mas esta parte sem duvidas é uma das mais tocantes. E é isto que eu queria que as pessoas entendessem. Pense você preso sua vida toda a uma pequena corrente?? Como alguém pode imaginar que isso é o correto para a vida de um ser vivo?
    Cães são almas que habitam corpos, apenas em estados diferente de evolução, e as pessoas precisam olha-los dessa forma. Almas em corpos diferentes dos humanos, apenas isso.
    Já tive vira latas, são bernardo, pug, foram vários, hoje em dia tenho 2 beagles, e são os cães mais maravilhosos que alguém pode ter! Agradeço a Deus, pois só eu sei a oportunidade de evolução que tive e o quanto mudei ao lado destes animais.

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    1. Anônimo,

      Gostei do seu comentário. O convívio com animais desde criança faz um grande diferença, no sentido do respeito, amor e responsabilidade. Por ter uma infância mais solitária, acredito que tenha aprendido lições muito profundas e duradouras com eles. Por isso consegue entendê-los de forma tão intensa.

      Fiquei triste com a situação que relatou sobre o cachorro amarrado. Cenas assim - de maus tratos e abandono - cortam o coração. Não entendo como alguém tem coragem de agir dessa forma. Como você disse: como essas pessoas se sentiriam na mesma situação?

      Como disse no final, aprendemos, crescemos e evoluímos muito - muito mesmo - com os animais.

      Um bom final de semana!

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  4. Nossa que emoção amiga, receber atualização do seu blog e dar de cara com um texto meu. Muito obrigado e confesso emocionei com todas as suas declarações sobre esta bela relação e muitas vezes esquecida. Hoje sou um dos que não os tem, mas acompanho o amor de vários amigos por eles, na vida real e pela blogosfera. Casos como da Cuca da Chica e dos amados da Verena, que a gente percebe o quanto de amor são dedicados a eles e depois o sofrimento pela perda. Já os tive quando criança numa pequena cidade de interior e sofri com a perda vitimados por veículos. Seu texto está excelente como alerta desta atenção, que devemos dar a eles, que estão sempre prontos para receber carinhos e atenção. Ah, tem também os gatinhos pela blogosfera que muitas amigas tem e dedicam a eles belos momentos em postagem com verdadeiras aulas de como cuidar deles com belos detalhes.
    Enfim ter um Pet e ter um filho, é preciso ter tempo e atenção.
    Grato pela partilha de belo texto e referencia.
    Carinhoso abraço na boa semana.

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    1. Toninho,

      Seu post me impactou muito desde quando o li, foi minha grande inspiração para falar sobre o assunto. Eu não poderia deixar de escrever sobre um tema tão importante, delicado e muitas vezes negligenciado.

      Você também passou por esse tipo de perda, entende bem o que eu quis dizer. As suas foram muito traumáticas, não consigo nem imaginar quão dolorido devem ter sido.

      Um pet - seja gato, cachorro, passarinho, tartaruga, etc - necessitam de muitos cuidados, atenção, tempo e carinho. De nada adianta conviver com um deles se o relacionamento não for bom, assim como o Anônimo disse acima sobre o cachorro que vive amarrado e triste. Para ser assim, melhor seria não querer cães, não é?

      Bom saber que gostou do meu post. :)

      Um bom final de semana!

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  5. Belíssima homenagem, Rosana!

    Se receber dois comentários, ignore, pois postei o primeiro e a página renovou e não apareceu, não sei porquê rsrs.

    Havia dito que cachorros são um complemento perfeito ao ser humano, companheiros perfeitos, que aceitam e sujeitam-se a todas nossas vontades e sempre estão felizes. São uma dádiva em nossa rotina sem graça.

    Porém, muitas pessoas os humanizam em excesso, antropomorfizando-os demais, querendo que eles sejam como "pessoas". E não são.

    Cachorro gosta de correr, brincar, cavar, de natureza. Fico triste com pessoas que mantém seus cães somente dentro de seus apartamentos e raramente saem com eles na rua. E olha, tem muitas pessoas assim...

    Abraços!

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    1. André,

      Gostei do seu comentário.

      "Cachorros são um complemento perfeito ao ser humano, companheiros perfeitos."
      Infelizmente, muitas vezes os cães são tratados como substitutos de crianças ou pessoas, o que é muito ruim à eles. Equilíbrio e bom senso nessa relação são fundamentais, para que seja uma relação saudável.

      Será que cães são felizes em apartamentos, raramente saindo para passear? Acredito que não. Cães precisam mesmo de atividades inerentes de cães e não as que os humanos acham que eles vão gostar. Uma pena...

      Bom saber que gostou do meu post. :)

      Um bom final de semana!

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    2. André,

      O segundo comentário não apareceu, coisas do blogger. rsrsrs

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  6. Os animais devem ser tratados com respeito e dignidade, isso resume tudo.
    Como o André comentou, animal não é gente e não precisa, nem deve ser tratado como tal.
    Já vi cachorro com roupa do corinthians, certamente o cachorro não estava feliz...

    Tem pessoas que exageram e querem humanizar os animais, querem fazer de animais os substitutos de seres humanos, não é por aí.
    Animais não tem a finalidade de ocupar o lugar de pessoas.

    Tem crianças que maltratam ou importunam os animais em suas brincadeiras. Brincadeiras que não tem graça nenhuma.
    É importante ensinar as crianças dessde pequenas que animal não é brinquedo e que deve-se respeitar os animais e a natureza de modo geral.

    Por fim, quem não quer ter trabalho e não tem tempo pra dedicar a um animal de estimação, não deve ter animais.

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    1. Anônimo,

      Penso como você: há um certo exagero na humanização dos animais, o que é prejudicial à eles. Por isso, equilíbrio e bom senso são fundamentais.

      Em relação as crianças maldosas, é algo que precisa ser corrigido e observadas atitudes afins com outras pessoas ou brinquedos, pois isso pode demonstrar uma personalidade problemática. Se quiser veja o post no link abaixo. No vídeo final, a autora fala um pouco sobre isso.
      Psicopatas do cotidiano - Katia Mecler - Resenha

      Um bom final de semana!

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